quarta-feira, 4 de abril de 2007

Choro no cinema. E pela Little Miss Sunshine.

Sempre achei injusto chamar de "comédia" filmes como A Pequena Miss Sunshine. Também nunca acreditei que comédia fosse inferior ao drama. Só acho que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Não tão simples quanto parece.

Chorar na cena das marionetes em A Dupla Vida de Veronique é coisa de gente sensível. "Coisa de viado", segundo um vizinho testostrônico-carnívoro-pimário. Sentir os olhos marejados por Ricardo Darín e Norma Aleandro em O Filho da Noiva é de praxe. Mas confesso aqui meu talento especial prá carpideira.

Veja bem, meu histórico tem lá suas peculiaridades. Eu chorei em O Grande Garoto, quando todo mundo ria do Hugh Grant com a guitarra. Mas também me emocionei com o início de Noiva em Fuga, só porque tinha uma noiva que fugia num cavalo (por campos verdejantes, claro) ao som de I Still Haven´t Found What I´m Looking For, do U2. Saí do cinema tonta e muda depois de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. E chorei, mas sem um pingo de tristeza, em Satyricon, de Fellini.

Percebe-se lá minha tendência a me emocionar com criancinhas do cinema, exceto as dos filmes iranianos com nome de fruta. Aquelas deveras me cansam. Mas antes tarde do que nunca, chorei com A Pequena Miss Sunshine. Mas assim, de soluçar. E juro, tentei me conter, mas não consegui.

Eu já sabia que Jonathan Dayton e Valerie Faris valiam a pena. Isso desde 96, com o "Tonight, Tonight", do Smashing Pumpkins. Já considerava Toni Collette das melhores atrizes desta geração. E o resto do elenco também não foi surpresa. Mas ainda é maravilhoso se deparar com coisas tão simples - e certeiras. A Miss Sunshine dá o que falar.

Chamem aí os filósofos pra botar o Nietzche no meio. Falem até de Kafka, se quiserem. Ou de Proust, James Joyce, Freud, David Copperfield. I don´t care. Choro mesmo.

PS: Olive, quer ser minha filha?

7 comentários:

Iza disse...

Ai! Que bonitinho o teu texto...

Eu sou muito manteiga derretida e sempre choro com vários filmes - principalmente com aqueles que se denominam comédia!

Isso é até ruim, porque sempre saio do cinema com os olhos inchados e tonta, enquanto as outras pessoas ficam todas contentes e rindo...

Comédia-romântica, no estilo "De repente é amor", é a minha paixão. Rio e choro muito!

Muito estranho! Sério...

Beijos :)

Leca disse...

Chorei em "O grande garoto" e em "Pequena Miss Sunshine". Este último é um dos meus filmes preferidos. Chorei tb em "Correnteza! Que salvará nossas crianças". E na propaganda do Carlinhos.

Descompassada disse...

puta que pariu.
abraço!

Ariel disse...

Bueno, yo lloro con cualquier película...
Sobre todo las comedias... Creo que el record lo tengo con Addams Family Values... De verdad, lloré casi toda la película...

Não sou o Rodrigo Antônio nem fudendo disse...

E dei risada do irmão dela quando ele explodiu merda. E na mesma hora meus pais [fui assistir com eles e minha irmã] estavam com cara de abismados de dó. Não tive vontade de chorar.

Renata D´Elia disse...

Mas quem foi que explodiu merda, Jean Philip Djordani, ops, Rodrigo Antonio?

não sou o jordani nem fudendo disse...

Deve ter me confundido!