Mostrando postagens com marcador u2. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador u2. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Atenção, bebê!

                                                                                      Capa da revista Q de dezembro


Na semana em que Bono falou à Rolling Stone americana sobre a possibilidade do U2 acabar em 2012, a rádio Kiss FM resolveu ligar para minha amiga Evelyn Vavassori para saber se a notória fã zonanorteña, que já teve o maior fã-clube da banda no Brasil, estava triste com a notícia. "O fato do RPM ainda estar na ativa é muito mais triste do que o fim do U2", respondeu ela, para as gargalhadas do outro lado da linha. 

Podem espernear à vontade, mas seja lá qual for o destino da banda, são pelo menos 5 os álbuns do U2 a figurar entre os indispensáveis: Boy (1980), War (1983), The Unforgetable Fire (1984), The Joshua Tree (1987 -- longe de ser meu favorito) e Achtung Baby (1991). O último da lista acaba de ganhar mais uma prova de relevância e longevidade com Ahk-toong Bay-bi Covered, álbum comemorativo de 20 anos lançado com exclusividade pela revista britânica Q, de dezembro. 


As faixas ganharam novas versões assinadas por Patti Smith, Jack White, Depeche Mode e The Killers, entre outros. O maior desafio parece ter sido fugir das assinaturas e  traços instrumentais do grupo, a começar pelas guitarras cortantes de The Edge e pelos falsetes de Bono. Mas o resultado geral é positivo e até surpreendente em algumas releituras. 


A abertura ficou com o Nine Inch Nails, abusando dos efeitos eletrônicos para atualizar a sempre jovem Zoo Station. O clima de esquenta pré-balada prossegue com o remix de Even Better Than The Real Thing pelo DJ Stuart, sob alcunha de Jacques Lu Cont. Entram piano e violão para a interpretação compenetrada de Damien Rice em One. O histrionismo solar da versão original de Until The End Of The World dá lugar a uma pegada folk e instantaneamente cult da musa punk Patti Smith. O Garbage também baixa o tom, mas insere um clima mais pesado e hi-tech, imprimindo a marca da banda em Who's Gonna Ride Your Wild Horses.


A decepção fica com o Depeche Mode e sua versão excessivamente sintética de So Cruel, com direito a uns 30 moduladores de voz para peneirar a performance meio acima do tom de Dave Gahan. O irlandês Gavin Friday, sempre na bota do U2, surge com The Fly em mais um momento-conceito de pura robótica musical, levando a sério demais o conceito futurista da coisa. Quase toda a vida de Mysterious Ways se esvai no clima mais experimental já criado pelo Snow Patrol. Trying to Throw Your Arms Around The World, provavelmente a mais fraca do disco, ganha potencial pra agradar adolescentes na versão do The Fray. Mas o repertório só volta a crescer com a participação do Killers em uma corajosa performance de Ultra Violet, que começa com cara de Freddie Mercury e embarca sem contramãos numa repaginada vibrante e grandiosa, respeitando a pegada original.


Os escoceses do Glasvegas, por sua vez, se apegam à velha forma de Acrobat e acabam por apresentar a versão menos inventiva do disco, com direito a um trabalho de guitarra bem próximo ao de The Edge e vocais agressivos que pouco agregam  às emoções de 1991. A postura de Jack White é exatamente contrária, transformando a quase fúnebre Love Is Blindness num espetáculo cômico e explosivo, que cruza Tom Jones com Robert Plant. E era exatamente o que se esperava dele. Quanto tempo você vai demorar pra devorar todo o resto?










terça-feira, 21 de junho de 2011

Red Hot + Rio 2: arte na luta contra a AIDS


Boa notícia: saiu agorinha o Red Hot + Rio 2, compilação de regravações do cancioneiro brasileiro de Tropicália e pós-Tropicalismo, samba, soul e um monte de ingredientes da nossa salada. Tem Clube da Esquina, Caetano Veloso, Novos Baianos, Mutantes e Gilberto Gil, entre outros clássicos, nos sotaques de Of Montreal, John Legend, Devendra Banhart e dos brasileiros Seu Jorge, Rodrigo Amarante, Curumin, Joyce Moreno & novos bambas.

A coletânea é uma iniciativa da Red Hot Org, que destina toda a renda obtida com downloads legais e discos vendidos para pesquisas contra a AIDS e assistência a portadores do vírus HIV. Já são mais de 20 álbuns lançados desde 1990, com o belíssimo Red Hot + Blue, que trazia clássicos de Cole Porter repaginados por Neneh Cherry, Annie Lenox, Sinead O'Connor e outros. Os vídeos são igualmente bem cuidados. A versão de Night And Day, do U2, teve clipe dirigido por Wim Wenders, filmado na casa do alemão.

Desde então, mais de 400 artistas, produtores e diretores doaram seus cachês para participar dos álbuns e dos eventos midiáticos voltados para conscientização da população mundial, principalmente na MTV. Entre os preferidos da casa, está No Alternative, com Smashing Pumpkins, Bob Mould, Nirvana e Patti Smith, num belo especial amplamente divulgado pela ex-Music Television (sic) em 1993.

Mas o que interessa é que dá pra ouvir o lançamento todo em streaming aqui [ainda não há vídeos oficiais no Youtube, mas o canal da fundação deve ter uploads em breve]. Engraçado que o resenhista gringo do NPR joga até Tom Jobim e Chico Buarque na Tropicália... mas vale ler o texto para uma compreensão da visão deles sobre a música verde e amarela. Destaque para o happy indie rock do Tha Boogie em Panis Et Circenses, reinventada em inglês. Tudo Que Você Podia Ser, clássica da turma mineira, é revitalizada pela Phenomenal Handcap Band com Marco Valle. Destaque também para a emotiva versão do Beirut para Leãozinho, porque o meu coração rumo ao hexa bate mais feliz quando um gringo canta "tua pele, tua luz, tua juba".

Vale também conferir o Red Hot + Rio 1, lançado em 1996, com a participação de Marisa Monte [que também figura na versão 2], George Michael David Byrne, Incognito, Everything But The Girl e mais um povo que era pura vanguarda na época. Continua bom de ouvir agora, nesse mês que marca 30 anos da descoberta da Aids, como quase tudo que leva a chancela da Red Hot. Outro disco bacana de ouvir para os nativos de língua portuguesa é Red Hot + Lisbon, com participação de artistas brasileiros, portugueses e africanos.






segunda-feira, 11 de abril de 2011

360 pingos nos is

Algumas coisas precisam ser ditas sobre os dois primeiros -- e ótimos -- shows do U2 em São Paulo com a 360° Tour, no último fim de semana. A primeira é que o mundo girou, o muro de Berlim caiu, Bono envelheceu e o U2 se tornou a banda mais grandiosa do mundo nesse meio tempo: sinto muito, mas não vai dar pra tocar os quatro primeiros discos na sequência, nem fingir que ser punk é ainda muito hype, ou exigir um show altamente histriônico pra 500 pessoas como se fazia num mocozinho da Irlanda em 1980. A segunda é que existe vida pós "Joshua Tree" (1987) e não há nada mais anacrônico do que recusar qualquer coisa que tenha vindo depois. A terceira é que, neste momento, o U2 faz shows prensado entre os desejos das massas puramente orientadas para o pop e as necessidades de uma minoria de pessoas que somam mais de 3 álbuns da banda em suas discotecas básicas.

A turnê 360º é fruto deste cenário. Entre fãs de carteirinha e fãs de coletânea, contando pais e filhos e diferentes gerações, havia nos shows do Morumbi uma imensa massa de curiosos e gente muito interessada em abastecer as redes sociais com 50 vídeos ruins a partir de um celular meia boca. De repente, um show do U2 deixa de ser um evento musical para se tornar um ponto de encontro, um lugar para ver e ser visto. Gente berrando "toca With Or Without You, porra!" a cada 5 minutos. Gente gritando "toca Hey Jude!" quando Bono menciona o aniversário de Julian Lennon. E por fim, gente bacana, sorrindo e chorando, cantando e tentando curtir uma banda amiga pelas frestas do circo midiático. Pode me desenhar aqui.

Este é o rock de estádios no século 21. Bono, Adam Clayton, Larry Mullen Jr e The Edge já perceberam faz tempo. A imensa garra e o fantástico telão acima do palco circular rodeado por passarelas estão entre as maiores e mais incríveis estruturas do entretenimento mundial. É possível enxergar o palco com clareza de todo o estádio [eu testei]. Está na hora de assumir que investir na visibilidade do público é também um sinal de respeito e competência para além da aparente megalomania. Mas aí vem gente dizer que a música se foi para dar lugar ao circo. É aí que começa o festival de recalques. Pois trate de anotar que um dos méritos da banda, aos 30 e tantos anos de carreira, é justamente usar a tecnologia para proporcionar ao público uma experiência única, onde a música reina e comanda uma viagem sensorial.

Na noite de 9 de abril, um set list mais previsível, embora poderoso. A abertura com Even Better Than The Real Thing seguida pelas guitarradas cortantes de The Edge em I Will Follow é de levantar defunto. Há sim alguma lentidão, pecando diante das versões dessas duas músicas em 1998, nos shows brasileiros da Pop Mart Tour. Mas as versões de I Still Haven't Found What I'm Looking For, Where The Streets Have No Name e With Or Without You -- esta última ao final da apresentação -- soam mais enxutas e rápidas do que nas últimas turnês. Temos menos messianismo, menos demagogia, menos marketing. O talento de The Edge em fazer muita música com poucas notas e um punhado de efeitos fica evidente nos riffs de Until The End Of The World, Magnificent e Mysterious Ways, em alto e bom som.

No domingo, a surpresa começou com Out Of Control, pérola de Boy, primeiro disco da banda. Uma carta malandra na manga de Bono para uma "special night" com cara de festa particular para os velhos fãs, aqueles da minoria pisoteada. Uma hora depois, foi a vez de Zooropa, faixa-título do álbum de 1993, ser executada inteira pela primeira vez ao vivo em toda a carreira da banda. Depois, uma música nova, uma boa versão de Scarlet -- escondida nos calabouços do October (1981) -- e a matadora Ultra Violet, substituindo Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me, da noite anterior. Mudos e de braços cruzados durante as desenterradas, os playboys das coletâneas só vibraram mesmo em medalhões como Pride, Sunday Bloody Sunday, além dos carros-chefe radiofônicos dos anos 2000, como as simplórias Vertigo e Get On Your Boots. Mas não chega a ser demérito. No repertório bem balanceado das duas noites, só não dá pra explicar o mico de I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight em versão pseudo-dançante, pontuada por um Larry Mullen Jr completamente desajeitado, tocando percussão junto à plateia.

Mas dane-se. Esta noite, há balões verde e amarelos voando pelo céu de São Paulo. E na memória, sobram notas coloridas e ecos de guitarras cortantes. Corações palpitantes simulam sorrisos por toda parte, por vários dias. Ou como diz a letra da canção magnífica: Only love/only love can leave such a mark.

Avaliação: memorável


domingo, 5 de dezembro de 2010

Quero meu set list!


Alô você, fã do U2 que, assim como eu, não aguenta mais o Bono chamando garotinhas desesperadas ao palco durante With Or Without You. Que não suporta mais os fãs de coletânea pedindo Sunday Bloody Sunday. Que não faz questão do repeteco do eco do povo cantando "ô-ôôô-ôôô-ô-ô-ô-ôô" em Pride, In The Name Of Love. Que aproveita para ir ao banheiro nos discursos de meia hora do Bono. Que preferia se poupar da geraçãozinha All That You Can't Leave Behind e todo o seu chororô vergonha alheia. Junte-se a mim nesta militância quixotesca em prol de um set list customizado do U2 para os old fans!

Enquanto U2 não faz como The Cure e monta um Trilogy com três álbuns matadores -- que pra mim, podiam ser Boy, October e War -- vou montar aqui minha personal set list e mandar uma pombinha entregar pro Larry Mullen Jr lá na Irlanda. Afinal, o chefe da banda é muito mais ele do que o Bono. Adam Clayton & The Edge vão adorar, tenho certeza.

Algumas eu já vi nos shows de 1998 e 2006. Mas quero repeteco e coisas novas. Vamos lá?

1) I Will Follow
2) Another Time, Another Place
3) Stories For Boys
4) Gloria
5) Tomorrow
6) New Year's Day
7) Surrender
8) The Unforgetable Fire
9) A Sort of Homecoming
10) Exit
11) Spanish Eyes
12) In God's Country
13) Where The Streets Have No Name
14) I Still Haven't Found What I'm Looking For (em pegada forte, anos 80)
15) Mothers Of The Disappeared
16) Even Better Than The Real Thing
17) Until The End Of The World
18) Ultra Violet
19) Zoo Station
20) The Fly
21) Lemon
22) Stay
23) Gone
24) One (momento chororô)
25) The Ground Beneath Her Feet (momento chororô)
26) Beautiful Day
27) Electrical Storm
28) Miracle Drug
29) No Line On The Horizon
30) Magnificent
31) Fes/Being Born
32) Scarlet (pra fazer o bota fora e o "goodnight são paulo")











quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

U2 na Irlanda tropical



Faz 30 graus celsius em São Paulo no exato momento em que uma gigantesca população de pulgas gordas & piolhos mastigadores parte em direção às barbas e cabelos de nossos hipsters universitários, nossos riquinhos hypes, nossos indies de xadrez e nossas garotas hippie-chics: todos se coçam, todos se ouriçam -- elas arrancam as peles, eles arrancam os pelos --, e o motivo não era um pássaro, não era um avião, eram somente os indefectíveis sinais da mesma grande banda que eles juram detestar.

Nada como um show do U2.

Se fosse o Morrissey, gritar e rasgar-se era pouco. Mas hipster que é hipster, despreza U2. Eles preferem idolatrar 99% das bandas lideradas por riquinhos hypes e indies de xadrez que idolatram U2. Ou então, ficam quietinhos no armário, caprichando na pose de cocô-blasé. [Discutiremos a sutil dicotomia entre assumidos e enrustidos numa próxima oportunidade]. Mas para todos eles, qualquer definição é fácil: Bono é só um tiozinho chatão, The Edge é um guitarrista bundão e foda-se se eles fazam um baita showzão. Pronto, resolveu-se o teorema.

Enquanto isso, pulgas gordas & piolhos mastigadores seguem saltitando em direção ao hype. E de repente, hipsters universitários, riquinhos modernosos, indies de xadrez e garotas hippie-chicks quase se estapeiam pelo show de Amy Winehouse. Eles adorariam frequentar a Rehab. Mas nem tudo é possível para os hispters. "Alô, mãe, tô aqui na Pista Vip! A Amy rolou no chão, deu bafón, quase morreu e vomitou na minha cara. Tirei foto!" Cinco minutos depois, toda a glória da Rehab cai por água abaixo no estacionamento do Anhembi.

Em todo caso, se Amy der um treco, levo no bico Janelle Monae e Mayer Hawthorne.

Mas aí vem o show do U2.
E o fã de U2 que não quer ouvir Pride está para Paul McCartney como quem cagou para Hey Jude. Se você também faz parte do clube, encoste aqui sua mãozinha na minha, e vamos ao banheiro químico para nos poupar do discurso humanitário e dos classicões clichês, que já perderam vigor ao vivo, mas seguem no set list para agradar amadores e salseiros. [Mentira, a gente no máximo bebe uma água e poupa a garganta para berrar mais no bloco seguinte].

Os hipsters já nos mandaram ao limbo das massas. Os ressentidos já reclamaram de tudo. Os super críticos a postos nos chamam de otários com propriedade e convicção. Duas coisas nos restam: comprar um ingresso e chorar na rampa em abril de 2011 com mais uma bela história para a coleção.

Aos desavisados
Mal começou a pré-venda exclusiva para o fã-clube e os primeiros corvos já babaram no anúncio de um setor "privilegiado", a Red Zone, com ingressos a R$1.000. Também acho loucura e só pagaria essa grana pra ver o espírito de Michael Jackson dançando Billie Jean exclusivamente pra mim. Mas nessas horas a gente precisa ser didático. Vamos lá:

1) A Red Zone não é uma pista premium como a de Paul McCartney, Madonna, e de festivais como o SWU, em que se paga mais caro para ficar em frente ao palco, criando um clima de Israel X Palestina entre os setores da plateia. Trata-se de um camarote lateral próximo ao palco, com comes & bebes à vontade, produtos do merchandising oficial grátis e outros mimos. É um modelo de setor muito praticado fora do Brasil.

2) O valor líquido de cada ingresso, descontando impostos e a taxa da T4Fun, será revertido para um fundo global contra a Aids. Informações aqui:
www.joinred.com

3) O camarote não impede que os fãs da pista comum cheguem à grade e permaneçam na frente.
Muito pelo contrário. Procurem os vídeos, fotos e mapas de palco da 360° Tour e entendam: dentro do snakepit, estão os fãs que pagaram pista comum e chegaram primeiro. Isso é praxe nos shows do U2. Foi assim em 2006, quando eu estive no Morumbi dois dias seguidos.

4) O palco é enorme, redondo, centralizado na arena e cercado por uma garra gigante e um telão giratório que tornam possível uma boa experiência sensorial até para quem está longe. Quero dizer, isso é o que diz quem já assistiu a 360° Tour na Europa ou EUA.

5) Não é barato trazer uma parafernalha dessas pra América do Sul, que entrou na rota dos big shows outro dia. Mesmo assim, a média de preço dos ingressos dos U2 para todos os setores não é superior às de Madonna, Paul McCartney e Bon Jovi, que trabalham com estruturas menores de palco. Além do mais, nas pistas premium israelitas destes shows, não havia comida, bebida, produtos oficiais e outros mimos grátis. Muito menos renda revertida para salvar criancinhas, baleias ou coisas do tipo.

6) Fácil culpar as bandas pelo preço dos shows. Mas é preciso fazer uma apuração inteligente e aprofundada
pra ver como essa conta fecha e de quanta gente esse dinheiro de ingressos vai molhando a mão até chegar nos véios magnatas do rock.

Não, ninguém é obrigado a aguentar chatice politicamente correta ou apoiar o que alguns dizem ser "o U2 fazendo cortesia com o chapeu dos outros". Tampouco alguém é obrigado a comprar Red Zone, ou muito menos a ir ao show.

Informações sobre ingressos: www.ticketsforfun.com.br

domingo, 10 de outubro de 2010

Gavin Friday


Você conhece Gavin Friday. Mesmo que não se dê conta. Na fria Dublin da década de 1970, Gavin era um punk louco maquiado e vestido de mulher à frente do The Virgin Prunes, um grupo anárquico, performático e enlouquecido no oposto da crueza limpa e meio séria demais do Feedback, que depois virou virou U2. À frente do U2 estava Bono, melhor amigo de Gavin. Na banda de Gavin estavam Dik Evans -- irmão de David Evans, vulgo The Edge -- e Guggi, que emprestou ao U2 seu irmão caçula como modelo das capas de Boy (1980) e War (1983).

Sim, você conhece Gavin Friday. São dele um par de olhos etílicos azuis, uma enorme porção de nicotina vocal e um belo falsetto anasalado. Reconheceu? Existe um Gavin pagão & undergound em Bono, e um Bono de vanguarda art-rock em Gavin. Impossível dizer quem é quem. Após o fim dos Virgin Prunes, em 1986, Gavin limitou-se a pintar, Guggi também seguiu carreira nas artes plásticas e o U2 tornou-se uma das maiores bandas do mundo. Somente em 1989, Gavin voltou repaginado em seu primeiro disco solo, Each Man Kills The Thing He Loves, iniciando parceria duradoura com o arranjador Maurice "The Man" Seezer. No lugar do espírito punk, chegaram os pianos de cabaré, a poesia de Oscar Wilde e uma sofisticada paleta de cores noturnas.

Bono quer a luz, Gavin a penumbra.

Mas quer saber de onde mesmo você conhece Gavin Friday? Da trilha sonora de Em Nome do Pai (Jim Sheridan, 1993), toda composta em parceria com Bono e Maurice Seezer. Com Daniel Day-Lewis no papel de um delinquente irlandês injustamente acusado de terrorismo pelo governo da Inglaterra, o filme conta com a pungente canção-tema You Made Me The Thief Of Your Heart, imortalizada na interpretação de Sinead O'Connor. O PIB da Irlanda deve muito a essa turma. Gavin também está nas trilhas sonoras de Missão Impossível, Basquiat e Moulain Rouge -- outra vez com Bono -- além do hit Angel, da trilha de Romeu + Julieta, sucesso entre o público jovem nos anos 1990.

O que você precisa ouvir são as 12 luxuosas e excêntricas faixas de Adam N' Eve (1992), cheio de climas imprevisíveis, -- produzido pelo Flood, que o U2 tomou mais tarde para a produção de Pop (1998)--; um pouco de Shag Tobaco (1995) e aquela pinceladinha básica pelo trabalho do cara, que é bissexto em matéria de lançamentos.






sexta-feira, 6 de novembro de 2009

The big rock & pop in 2010


No rock n´roll existe um consenso de que banda boa é banda média: nem tão obscura e ainda semi-profissional -- tocando pra 100 pessoas num inferninho qualquer --, nem grande a ponto de lotar estádios e se acomodar na fórmula consagradora, abusando de palcos gigantescos e turnês ambiciosas, milhas distante das ousadias e de qualquer experimentalismo que afaste as massas.

Por isso me admirei com o No Line On The Horizon, do U2, lançado em março desse ano. Pelo menos arejaram a sonoridade, ainda que com os mesmos ares de The Joshua Tree [1987] e Achtung Baby [1991], também produzidos por Brian Eno e Daniel Lanois. Mas ao contrário das guitarrinhas inofensivas e das melodias chorosas de All That You Can´t Leave Behind [2000] e How to Dismantle An Atomic Bomb [2004], No Line pelo menos convida o ouvinte a levantar a bunda do sofá e levar seus sentidos pra dar uma voltinha.

Quem não curtiu foi o público: o disco mal vendeu 1 milhão de cópias, segundo o The Guardian. Podem culpar a cauda longa da internet ou a crise econômica. Podem culpar o Michael Jackson que, depois de morto, roubou quase toda atenção do showbizz e vendeu 6 milhões de discos em 4 meses só com a coletânea Number Ones. Mas basta reparar no público dos shows da 360° Tour, ou mesmo das duas turnês anteriores, se você esteve em algum deles: quantos discos do U2 você acha que esse povo tem? E quais serão os preferidos desse público? Não devem ser Boy [1980], War[1983] ou Unforgetable Fire [1984].

Veja bem: o U2 toca em estádios há pelo menos 25 anos. Tem cara de banda grande. Sonoridade de banda grande. Atitude política de banda grande. Você imagina hinos como Pride ou Where The Streets Have No Name executados em caverninhas habitadas por gente triste, pseudo-intelectuais e alternativinhos de plantão? Como é que se pega uma canção cheia de camadas climáticas como The Unforgetable Fire e se toca em outro lugar que não seja um estádio, pra milhares de seres dispostos a encarar uma catarse coletiva e cantar pra vizinhança toda ouvir? Não entendo, portanto, a crítica à grandeza.

O Brian Eno entende. Em excelente entrevista publicada pelo Pitchfork, o mitaço foi logo quebrando alguns sensos comuns. "Eles [U2] já fizeram várias mudanças significantes em vários pontos da carreira. Eles são, na verdade, uma banda muito experimental, mas por causa da forma da música deles, muita gente não reconhece. Se fosse alguma banda indie obscura, as pessoas provavelmente pensariam: 'Deus, eles são demais! Continuam surgindo sempre com coisas novas!'. Mas porque venderam milhões de discos, os experimentos passam batidos' (...) E eles não são exatamente o tipo de banda que quer perder adeptos durante a caminhada".

Enquanto isso, na cultuada nuvem do Radiohead, Thom Yorke coça o nariz e todos dizem que é arte.

A dupla de grafiteiros osgemeos vai aos poucos se transformando num fenômeno pop Romero Brito [em breve canecas e reproduções na Tok & Stok]. Começa a contagem regressiva para que os alternativos procurem outra alternativa.

Voltando à Irlanda. Se o dilema do U2 é descobrir se vai 1) sentar a bunda 2) ousar e perder adeptos 3) descobrir como ousar sem espantar os aderentes da dieta pop-easy nesse novo e muito louco modelo de negócios da música, restará, de fato, saber pra onde vai o rock de massas num cenário cada vez mais segmentado.

Pelo menos com shows, que seguem lotados e muitíssimo bem produzidos, Bono & cia podem sossegar. Ou não. O que se vê, na 360° -- de forma ainda mais evidente após assistir ao This Is It de Michael Jackson -- é uma banda que faz um puta show, mas se acomoda no set-list , sob medida para o público de ATYCLB e HTDAAB, com músicos que se cansam por saracotear num palco monstruoso, enquanto tocam, cantam e interagem com o público.

Faz parte do conceito mega-pop. Mas me parece cruel para uma banda de rock. Mais cruel ainda para um fã de música, cercado por gente greatest hits, que prefere o telão. [É claro que eu também vejo o telão, mas péra lá]. Michael Jackson, nos ensaios de TII, não parecia menor que a infra-estrutura. Tudo bem que essa pergunta já foi feita outras vezes, mas pra onde é que o U2 vai depois de um palco giratório e uma garra gigante? Onde estará o U2 no meio da próxima parafernália?

A colunista Sônia Racy, do jornal O Estado de S. Paulo, confirmou essa semana 3 shows do u2 com a turnê 360°C em São Paulo e 1 no Rio de Janeiro, em novembro de 2010. Guarde grana e chegue cedo para garantir o seu lugar na fila. Vá com fé.

---------

Donna Madonna vem ao Brasil semana que vem prestigiar a terra de seu iluminado gigolô nazareno. Essa é outra que ficou escrava do padrão pop que criou. Mas o que a gente faz? O que se viu ano passado na etapa brasileira da Sticky & Sweet Tour foi estilo Madonna: cronometrado, bem feito, valendo a pena, mas sem um pingo de mágica. Se eu fosse ela, aos 51, daria um basta nas cadelas do telão e apostaria no minimalista: uma boa banda, com arranjos modernizados -- mais rústicos e menos plastificados -- e, acima de tudo, gogó. Será que a burocrata topa? Recorte a apresentação de Bad Girl ao vivo no Saturday Night Live back in the 90´s e cole na boa versão de Ray Of Light by Snow Patrol. Me diga o que acha.

Quero dizer, e só um chute. Um devaneio. Não custa imaginar.




segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Watch more TV

,
Minhas histórias com o U2 começaram há mais ou menos 13 anos, quando comprei meu primeiro exemplar do álbum WAR e também de Zooropa e, quase em seguida, de Pop. Até que chegou 31 de janeiro de 1998 para uma Renata de rabo de cavalo & cheia de espinhas adolescentes na testa, portando um ingresso mágico comprado por R$60 [inteira] , impresso em papel azul, e algum dinheiro para gastar em tranqueiras como a bóia amarela gigante oficial da Pop Mart Tour e, finalmente, assistir a banda ao vivo, a muitas cores, direto do anel superior do estádio do Morumbi.

Duas semanas depois de balançar e ser alçada feito mola para todos os lados de uma geleia humana completamente deslumbrada -- e aquelas roupas de músculo? e aquela azeitona pendurada num palito que ficava ponta do palco? e aquele bigodinho mexicano pilantraço, hein The Edge? e aquele limão prateado que abria em Discotheque? puta que o pariu, o que era Discotheque? -- iniciei a prática de cabular aulas para visitar, clandestinamente, cada um dos andares da Galeria do Rock.

Funcionava assim: minha avó me dava uns 2 ou 3 Reais por dia para gastar no lanche. E eu usava um uniforme Capitão América. E também guardava uns passes de ônibus na carteira. A tática era guardar todo o dinheiro do lanche de segunda a sexta e, no extremo caso de fome, filar umas coxinhas da galera no recreio [deu certo por um tempo, até que as pessoas começaram a fugir]. Então chegava a sexta-feira e eu, sorrateiramente, me fingia de morta no busão para passar direto pelo ponto da escola e descer na Praça da República, avançar pelos mijódromos municipais do centrão, e grudar feito uma rã nas vitrines daquele buraco. Era uma oferta enorme: coisas oficiais novas e usadas, importados, bootlegs piratas, produtos japoneses com encartes malucos, fitas VHS copiadas das cópias com shows das minhas bandas preferidas em mil novecentos e bola, concertos filmados com aparelhos semi-profissionais.

Mas eu só tinha 10 Reais. E não podia falhar. Quem tem só 10 contos não vai gastar no disco da nova bandeca islandesa que viu no Lado B da MTV com Fabio Massari, né? E assim, foram comprados Boy, October, Rattle and Hum, The Joshua Tree e também uma fita pirata chuviscada com um vídeo de um show do U2 em Berlim, 1981, para não mais que 300 pessoas. O almoço vinha sempre no dogão do boliviano da frente, que aceitava passe de ônibus, e que nunca me matou com uma infecção alimentar [deve ser porque minha mãe me abastecia com anti-vermes anualmente; eram pílulas azuis e vermelhas, como as de Matrix]. Sem passes e sem dinheiro para a volta, o Capitão América versão feminina passava por baixo da catraca do busão e sentava no banco mais alto, felicidade total.

Foi numa madrugada de domingo pra segunda, janeiro de 2006, que São Paulo virou praia. Como se fossemos um bando de vagabundos irresponsáveis -- e provavelmente éramos -- nos alinhamos, centenas, numa fila que dava voltas no quarteirão do Pão de Açucar de Santana onde, um dia, alguém teve a genial ideia de vender ingressos para os shows do U2 no Brasil. Sacolas de feira, cadeiras de piscina, cangas -- quiçá, até bóias --, esteiras, cobertores, travesseiros, baralhos, rádios com caixinhas de som, e algumas baratas que nos visitavam por ali. Histórias sobre o show do U2 em Milão, a política de promoção dos concursados do Banco do Brasil, trepadas ilustres entre famosos em aviões da Varig, a crise na Varig, será que vai dar certo esse show dos Rolling Stones em Copacabana?, o Rio de Janeiro não tem jeito, eles nem têm show do U2, CHUPA RIO DE JANEIRO!, o Marcelo Tas falou que fã do U2 é tudo idiota, foda-se o Marcelo Tas, ela fez uma tatuagem do U2 no braço, é minha amiga, mas não acho que ela é doida não. O lance é trazer de casa pão com patê: esse mercado é muito caro e os funcionários não gostam da gente.

Em fevereiro de 2006, vi Rolling Stones e U2 num intervalo de 3 dias.

Mas era madrugada de domingo pra segunda, outra vez, quando eu nem precisei pagar ingresso. O set list foi meio bunda -- muito rockinho-pop 2000´s pro meu gosto --, as politicagens do Bono me dão brechas para estourar pipocas, botar mais gelo nessa coca-cola meio choca, e voltar pra tela porque não tem I Will Follow, mas tem Ultra Violet, e Ultra Violet é sempre tão bonita, você não acha? O u2 não está na TV, mas está no Youtube, nessa megalomania muito louca & brilhante ao mesmo tempo que começou com ZOO TV, foi pros caroços das azeitonas gigantes, depois para um palco em forma de coração, e depois pra uma ferradura [eu vi, eu vi!], e agora numa garra, num palco redondo, no meio do estádio: ninguém sabe pra onde olha.

É o Bono com essa jaqueta horrorosa outra vez. Errando a letra, rodando sem parar num microfone redondo, por todos os lados. Larry Mullen, bonito que nem Ultra Violet. Adam Clayton tem um baixo rosa-choque & branco. E o The Edge tem uma verruga no braço direito, que não passou no Youtube, mas eu vi. Eu vi o U2 na TV, que não era bem uma TV, era só uma tela. E no fim, não teve frio na barriga nem nada, mas deu pra sorrir. Também não teve The Fly mas eu, que já sou bem grandinha, continuo achando tudo isso muito cheio de cor, de música, e das emoções pessoais & coletivas que eu ainda preciso pra viver.

*U2webcast, transmissão ao vivo via satélite pelo Youtube para 1 milhão e meio de pessoas, do show realizado ontem em Los Angeles, no estádio Rose Bowl. 360º Tour.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Outras verdades sobre o novo do U2

"No Line on the Horizon é a terceira grande guinada da carreira da banda. Aqui, tentam superar a própria grandiosidade sonora e apostam em letras que buscam encerrar de modo poético a complexidade política e midiática destes tempos.
Com os integrantes beirando os 50 anos, o U2, ao contrário de muitos roqueiros veteranos, não se esforça para manter uma juventude artificial. Envelhece antenado à sua época". Sylvia Colombo, Folha de S. Paulo

"Dentro do time de produtores da banda, Brian Eno e Daniel Lanois foram as figuras-chave na composição e execução das canções, enquanto Steve Lillywhite direcionou a sonoridade para o consumo de massa. Por sinal, trata-se do mesmo time que produziu The Unforgettable Fire (1985) e Achtung Baby (1991). Assim como esses discos, No Line on the Horizon é também um belo, corajoso, e altamente especulativo redesenho da sonoridade do U2", Andrew Perry, Telegraph.

"Get On Your Boots soa aborrecidamente como o U2 imitando o Muse. O que não é necessariamente ruim, mas assim como no álbum Pop, parece que o U2 vira seguidor e não líder" Chris Jones, BBC.

"Talvez o erro do U2 em No Line On The Horizon esteja na escolha do primeiro single. Get On Your Boots não combina com a atitude de renovação ostentada pelo disco, permanecendo na cômoda sombra dos hits mais recentes e menos ousados da carreira da banda - como Vertigo e All Because Of You . Por sorte, há coisas muito melhores para se ouvir num disco de faixas poderosas e robustas como Magnificent e Fez- Being Born, essas sim, remetedoras à velha entrega, à religiosidade e ao fervor - às vezes transecental - dos melhores anos do U2". Renata D´Elia, Revista Paradoxo. [Sorriam para a foto, crianças!]

"Em No Line... há a combinação dos timbres de teclados de garagem, gordas distorções de guitarra, e a bateria de fanfarra de Larry Mullen Jr., esse último tão firme e afiado que é difícil de dizer o que ele mesmo está fazendo e o que é looping (isso foi um elogio). The Edge toca um dos poucos solos no final de Unknown Caller, numa reta e extenuada atuação que força as notas até o limite do agudo. White as Snow é quieta - guitarra, teclado, Bono e harmonias, como se fosse The Crystal Ship dos Doors misturada com uma balada Apalache". David Frike, Rolling Stone.

"Em entrevista ao jornal Boston Herald, em novembro, Lillywhite disse acreditar que o U2 estaria "reinventando o rock" mais uma vez. Há um pouco de exagero nessa afirmação, mas é evidente que a banda assume riscos para não dormir no banco de reserva. (...) Só o tempo necessário para assimilá-lo dirá se realmente o U2 acabou de reinventar o rock. Ou não". Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S. Paulo.

"Cansado do Bono? Talvez. Cansado do U2? Ainda não". Charles Aaron, Spin.

"O que mais impressiona nesse follow-up de How to Dismantle an Atomic Bomb é a voz do Bono. Sempre soberano, até mesmo nas notas melodramáticas, ele grita, se entrega, se revira e se joga num terrítório mais cheio de alma, emoção e rock n´roll. Imagine tudo isso, ao vivo, num
estádio". Iain Shedden, The Australian


"Na faixa-título, que abre o CD, um refrão cantarolado faz do vocalista - como se fosse preciso - o ponto principal, numa típica faixa do U2. A mesma grandiosidade quase messiânica está em Magnificent, que inicia com efeitos típicos de produtores para logo receber a indefectível guitarra de The Edge. Remete a várias fases do U2 em uma só música, como o início de carreira em The Unforgettable Fire e a ligação com as raízes da música norte-americana de Where The Streets Have No Name --presente no disco The Joshua Tree, de 1987". Marcos Bragatto, UOL.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

U2 - "No Line On The Horizon"

É mais do que voar sonhando, sonhar nadando ou gozar dormindo; é como tocar o crepúsculo, arrebentar a bolha de muco, urrar pelos picos e libertar os punhos: eu atravesso agora a mesma película mágica dos nossos dias mais felizes, sou criança outra vez e nem desconfio. Existe algo de incrível quando os velhos segredos fazem sentido - a vida toda é caminhar por ciclos. And I´m no longer afraid of anything.


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

America

MLK (MARTIN LUTHER KING), U2

Sleep
Sleep tonight
And may your dreams
Be realized
If the thunder cloud
Passes rain
So let it rain
Rain down on me
Mmm...mmm...mmm...
So let it be
Mmm...mmm...mmm...
So let it be
Sleep
Sleep tonight
And may your dreams
Be realized

If the thundercloud
Passes rain
So let it rain
Let it rain
Rain on me


Salvar as baleias? Instituir áreas de nudismo nas grandes cidades? Salvar o planeta do aquecimento global? Terminar todas as guerras, acabar com todas as injustiças sociais? Resolver o problema da escassez de comida e da fome na África? Perdoar a dívida externa dos países pobres? Tornar os corações dos homens menos maldosos? Corrigir todos os erros brutais do capitalismo, acabar com todos os ecos da crise financeira mundial em 4 anos? Distribuir toda a renda? Nada disso, na verdade. Mas uma mudança de mentalidade e de concepção é necessária pela América profunda e pelo mundo afora. E talvez o novo presidente americano possa dar esses primeiros passos. Talvez já tenha dado. Tomara.

sábado, 4 de outubro de 2008

meme.meme.meme.meme.meme

Meu amigo Juan Trasmonte me deu de presente um meme. Eu não sei muito bem o que é um meme, mas recebendo as instruções, achei muito bacana e resolvi repassar a brincadeira, que consiste em listar nossas 7 canções preferidas no blog e depois repassar a cinco amigos.

Logo de cara deixo a brecha para meus cinco eleitos:Felipe Vilasanchez, João Carvalho ,Alvaro Andrade,
André Raboni ,Daniel Faria .

O problema é que, assim como o Juan, eu também vivo fazendo listas que geralmente vêm de baciada e o grande martírio costuma ser escolher apenas 10 canções em temáticas bem específicas. Agora, escolher as 7 + de todos os tempos de mi corazón? Impossível.

Resolvi tentar (com êxito duvidoso) nomear as 7 canções que SEMPRE comandaram meu barquinho de papel ao sabor da travessia oceânica, sem distinção de cor, credo, raça, idade, e localização geográfica. Procurei ser honesta com o meu histórico, quero dizer, com algumas das minhas bases num tempo distante, tempo de sensações descomprometidas e leves.

1) Michael Jackson - "Human Nature"
2) U2 - "I Will Follow"
3) The Cure - "A Night Like This"
4) Secos & Molhados - "Rosa de Hiroshima"
6) Elis Regina (Chico Buarque) - "Atrás da Porta"
7) David Bowie - "Heroes"

Bônus track: 8) The Rolling Stones - "Sway"