domingo, 4 de novembro de 2007

The big pearls

Examinando os line-ups das edições anteriores fica claro como o Tim Festival concebeu-se originalmente como um novo Free Jazz, para platéias igualmente "exigentes e elitizadas", embora tenha se tornado uma espécie de "best of combo" brasileiro de festivais como Glanstonburry, Coachella, Paleò e outros eventos dos sonhos.

Com atrações de temporalidade duvidosa porém necessárias para combater o atraso com que platéias brasileiras tinham acesso às novidades do rock e pop mundial, o festival cumpre sua missão mercadológica e atende parcialmente às demandas de um público majoritariamente jovem e modernoso, àvido pelas melhores bandas dos últimos tempos das últimas semanas.

As pequenas pérolas, no entanto, permanecem atiradas aos poucos. Tem gente que nem lembra delas. Em 2003, por exemplo, tivemos Beth Gibbons (do Portishead - foto abaixo)& kd lang, duas das mais incríveis cantoras surgidas nos anos 90, em shows transmitidos pela Globo enquanto eu devorava um cachorro-quente completo e prensado num dogão 24 horas em Santana. Bixete universitária, dura como só, não tinha verba para assisti-las no Rio de Janeiro. No meu lugar, estavam os astros da Malhação. A vida é dura (mas o cachorro-quente não).

Na segunda edição,em São Paulo, a musa PJ Harvey apontava para um amigo meu, ensandecido na primeira fila, cantando "I don´t neeed anything but you, such a shame,shame, shame...". E eu me encontrava nervosa e apreensiva antes de uma importante apresentação de faculdade no domingo, dia seguinte. Os shows de Primal Scream e Kraftwerk entraram para a história e foram comentados na TV por um Zeca Camargo bastante didático. Ele explicava sorridente e pacientemente a existência de monstros avessos à Ivete Sangalo, para os telespectadores do período pós-Zorra Total.

Tirei 70 fotos de Elvis Costello em 2005. Eu choraria lembrando de Mapplethorpe, no show do Television, mas a má vontade deles não permitiu. Tirando o Arcade Fire, pérola mesmo não tinha mais nenhuma. E Mapplethorpe não queria mesmo que eu chegasse perto dele. Um ano depois Patti Smith tocou longe de São Paulo, o único lugar do Brasil onde seria recebida à altura de sua importância. E em 2007 restou juntar-me no Anhembi aos amoados fãs de Björk, essa sim, a própria vanguarda.

Quando vi o clipe de All Mine, do Portishead, pela primeira vez, aos 15 anos, me perguntei se era mesmo aquela menininha muito estranha que entoava aquela voz. Gravei os quatro minutos de clipe num VHS que quase furou de tanto passar, até que a internet banda larga e o mundo dos downloads me salvassem do breu. Assistindo hoje ao DVD Portishead - Roseland Live NYC me reservo a oportunidade de ver Beth Gibbons, de jeans e camisa preta, fazendo muito melhor do que a maioria das musas hi-tech. There´s nowhere too hight for me. All mine you have to be.

4 comentários:

Daniel disse...

O TIM é mais preocupado em ser "vanguardista" em ser aquele tio que traz as novidades para os brazucas.

O Free Jazz por outro lado, ao meu ver, sempre se preocupou com atrações consideradas "cult" (detesto o termo, é horrível).

R. D´Elia disse...

Verdade. Detesto o termo... por isso não utilizei. Mas acho que as atrações de 2003 e 2004deram conta do que era o Free Jazz. Já as demais...

Helio Sales Jr. disse...

Mulheeeeeer, eu sou totalmente fanático pela Beth Gibbons!!! Ela é tudo! Eu também tinha o clip de all mine em vhs!!! Junto com Only you, que foram os dois que eu consegui gravar... eu sempre comentei que TEM, eu SEI QUE TEM alguma mensagem subliminar naquele vídeo de All Mine. Aquela menininha não tá em seu estado normal não!!!
:D

Lenes disse...

Estas me vieram logo a cabeça...
Just like heaven - The Cure
Feels like Heaven - Fiction Factory
Things you said - Depeche Mode
Africa - Toto
As the world falls down - David Bowie
Mistake #3 - Culture Club
Voices Carry - Til Tuesday
Love is my decision - Chris De Burg
Hunting High and Low - A-HA
Don't Change - INXS