domingo, 22 de julho de 2007

Jorge Furtado e elenco falam sobre "Saneamento Básico - O Filme"



Por Renata D´Elia e Paula Dume

O gaúcho Jorge Furtado chega agora ao lançamento de seu quarto longa-metragem, “Saneamento Básico – O Filme”, em cartaz desde 20 de julho, em todo o Brasil. Rodado em três municípios da Serra Gaúcha – Monte Belo, Bento Gonçalves e Santa Teresa – entre julho e agosto de 2006, trata-se de uma co-produção entre a Casa de Cinema de Porto Alegre, a Columbia Pictures do Brasil e a Globo Filmes. Diretor de séries televisivas e de curtas premiados internacionalmente, Jorge aposta em uma comédia metalingüística, com pano de fundo social. Trama e personagens são inspirados na comédia dell´arte.

A sinopse aponta para uma pequena comunidade no Rio Grande do Sul, que pleiteia junto à prefeitura verbas para uma obra de saneamento, e em contrapartida recebe dez mil reais para a realização de um filme. Então, decidem fazer um vídeo sobre a obra em questão. “Demorei dois anos pra escrever este roteiro, feito especialmente para estes atores, os melhores do Brasil na minha opinião”, revela o diretor. O elenco conta com Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga, Paulo José, Tonico Ferreira, Bruno Garcia, Janaina Kremer e Lázaro Ramos. Furtado afirma ter realizado vários ensaios e leituras com os atores, o que rendeu alterações e novas inserções no roteiro. “Com o Jorge há muita liberdade para criar e nós todos acreditamos muito no filme. Literalmente vestimos a camisa”, brinca Paulo José, em alusão às camisetas de divulgação, que quase todos vestiam na coletiva de imprensa.

Ocorre em Saneamento uma mudança temática e narrativa na carreira do diretor, que nos três longas anteriores abusou das narrações em off e de perspectivas psicológicas, focando o universo juvenil. Jorge trilha agora um caminho oposto. “Todos os meus filmes anteriores poderiam ter a mesma sinopse: ‘jovem tímido e inteligente faz de tudo para conquistar a mulher amada’. Faço o possível para não imitar a mim mesmo. Mas às vezes não consigo, é uma mistura de estilo e preguiça”, revela o diretor, que encontrou o fio condutor do filme nas contradições. “Trata-se de um lugar muito pequeno, que tem dinheiro para fazer um filme, e não quer! Pensei em saneamento por ser algo essencial, e que ao mesmo tempo mais de 50% das casas brasileiras não têm”. Fernanda Torres leva a discussão mais adiante. “Cinema é caro mesmo quando é barato. Acaba sendo um artigo de luxo, com um valor muito louco num país de tantas desigualdades sociais. O filme do Jorge faz um retrato que gosto muito, ele explica o que é do cinema: ninguém resolve o problema do esgoto, mas os personagens resolvem suas questões humanas através da arte, através daquele vídeo”.

Segundo Nora Goulart, da Casa de Cinema de Porto Alegre, o orçamento do filme é de 2 milhões e 600 mil reais, coletado em parte através de dois concursos, um promovido pela Petrobrás, outro pelo BNDES. Os gastos com o lançamento atingiram mais 1 milhão de reais, orçados pela Columbia Pictures e pela Globo Filmes. Entre maio e julho, diretor e equipe técnica participaram de pré-estréias e debates fechados em escolas de cinema e universidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O objetivo é estimular a divulgação boca a boca e frear a redução de público – que tem tirado filmes nacionais de exibição poucas semanas após a estréia. “Para nós, vale a frase de Dostoiévski que encerra o filme: ‘a beleza salvará o mundo’. Somos o país de Noel Rosa, Lupiscínio Rodrigues, e não dessa gente corrupta e mórbida que está aí”, reflete Furtado.

* Matéria originalmente escrita para o Cinequanon
** Foto: Renata D´Elia

5 comentários:

Tiago R. Lima "Mad Max" Andrade disse...

Jorge Furtado é um dos poucos cars q sabe fazer cinema no Brasil sem a preocupação de fazer uma ultraobra de arte a cada produção -tem q ser divertido, não esqueçam - e nem em fazer filmes q são tão comentados durante as filmagens q qdo estréiam todo mundo já sabe a hsitória toda. Concordo com as palavras da Fernanda Torres: cinema é caro, é um luxo, mas um luxo imprescindível.
Estou curiosíssimo para ver a nova produção do cara

Anita disse...

Apesar de não gostar muito da Fernanda Torres, acho que o filme tem tudo para dar certo. A começar pelo roteiro e principalmente pelo elenco de peso Wagner Moura, Camila Pitanga, Paulo José, Tonico Ferreira, Bruno Garcia e Lázaro Ramos. Adoro o Wagner Moura e Bruno Garcia, acho que eles são ótimos atores.

C.S.A. disse...

Ah, eu gosto da Fernanda Torres.
Vi o trailer e, com certeza, parece ser bem divertido.

Anônimo disse...

Skindun dun dun?

Aline disse...

te liguei mas vc nem atendeu =P