domingo, 5 de junho de 2011

Bettye LaVette: deeper shades of soul


Faz tempo que eu queria escrever sobre a Bettye LaVette. Acabou que não há nada de novo pra dizer. A negona americana de Detroit tem 65 com corpinho de 49, mas o rosto é de quem já viveu cada milímetro das emoções profundas da soul music. Quem a viu no palco do Bridgestone Festival, em 2009, jura que é de botar pra correr quase todo mundo que a gente chama de diva. LaVette tem o poder mítico das grandes: para os olhos e para os ouvidos, não há nada que sobre ao redor.

E como classificar essa voz?

Bettye tem uma carreira de hiatos, frustrações e interrupções; a fama internacional só veio nos anos 2000, após décadas de gravações irregulares. A melhor porta de entrada para as novas gerações talvez seja o ótimo Interpretations: The British Rock Songbook, que saiu ano passado e traz versões para grandes clássicos de The Who a Elton John, passando por George Harrison, Traffic e Led Zeppelin. A produção é inteligente: com instrumentação sóbria e minimalista, deixa todos os espaços à disposição de Bettye. Na sequência, vale conhecer os álbuns I’ve Got my Own Hell to Raise e The Scene of the Crime.

Melhor que os álbuns são as performances ao vivo. Nos vídeos, seus olhos são pequenos espelhos de luzes, sombras, propriedade e paixão.


Nenhum comentário: