quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Rá-tá-tá-tá

Não chega a ser incrível, mas os chamados "formadores de opinião" convidados a entrevistar Mano Brown no Roda Viva, não parecem diferir em nada dos "racionais" pseudo-manos das classes média e alta. Sabe aqueles branquelos bombados, de touca, com o rap trincando em último volume dentro das super pick-ups importadas, presente do papis? Pois a rasgação de seda é a mesma. Pura pose.

Sugiro que da próxima vez, a celebrada nata da intelectualidade paulista, mensuradora de genialidades, tope o desafio antropológico (sic) de analisar a realidade brasileira fora do espectro do chopp-com-colarinho made in Vila Madalena. Meia hora num ponto de ônibus do Largo da Batata já pode ser um bom começo.

Mano Brown, 2º grau incompleto, nunca me pareceu preguiçoso ao raciocinar. Mas decepcionou bastante ao demonstrar o que pensa. E quanto aos bacharéis...bateu medinho reacionário de apanhar dos manos, na hora da saída? Ou foi todo mundo junto fazer um glamuroso city tour pelo Capão Redondo, na doce madruga paulistana?

7 comentários:

Fernando_Niero disse...

"Mas e os bacharéis? Foi medinho reacionário de apanhar dos manos, na hora da saída?"

deve ser medo de receber uma "intimação manística" com o Ed Motta nos 80´s..heheheheh

MARCELO MENDEZ disse...

Bem... Não sei se pensam os bacharéis, nem tampouco o entrevistado. Mas concordo que sempre a abordagem nesse tipo de situação é pífia.

Junior disse...

Eu não consigo entender não viu. O que acontece com esse povo..olha se fosse medo seria melhor o problema é que não é medo é uma forma de encantamento com o "bom selvagem" que a mim é inexplicável. Será uma culpa judaico-cristã? O servilismo daquele grupo de senhores é um atentado, onde estavam os questionamentos? É um caso não de covardia mas de desonestidade intelectual mesmo. O "Mano" foi tratado com um pisar em ovos que não seria dispensado nem a um santo quanto mais a uma pessoa de opiniões e idéias muito polêmicas e que falou barbaridades. Sem, em nenhum momento, ser questionado, pressionado sériamente a explicar suas posições. Uma vergonha com dinheiro do povo de sp.

Daniel disse...

Para mim, essa "admiração" é apenas oficial. No conforto de seus lares, essas pessoas devem pensar "que barbaridade, olha lixo de cultura que nossa sociedade está aceitando". É o que parece pelo menos, não enfrentam porque não sabem enfrentar, não conhecem o tipo de pessoa com quem estão tratando nem a realidade de vida dela.

Não vi tal programa, mas seria previsível e normal que isso acontecesse.

kelly christina disse...

não gosto de rap e nem do mano brown. mas adoro ler/assistir entrevistas e não podia perder este roda viva. foi um programa histórico. sem dúvidas. os intelectuais pareciam ter medo do mano e seus comparsas, era nítido pelas perguntas feitas. tomaram uma posição de cobrança, ao jogarem a culpa da criminalidade/violência/pobreza e etc para o grupo musical. era como se o mano, se quisesse, pudesse acabar com toda a tristeza da classe c-d-e. tb achei muito feio os jornalistas tentarem falar as "gírias dos manos", como numa tentativa de se fazerem entender.

!

mas até que o sr. mano tem alguma coisa a dizer.


beijo,
kelly christina

descompassada disse...

típica imprensa que acha que a favela é somente o morro. e que lugar de rap é na cadeira respondendo perguntinhas sobre o tão batido viés ideológico da causa social nas letras. meu, mano brown faz música [e como!] e pronto. vão procurar ser menos jornalistas e mais humanos, caramba!

Álvaro disse...

Tava um clima ruim, né? de um respeito medroso, uma distância abissal...
a comunicação ficou absolutamente comprometida