Vamos lá, não se trata de decepção. Afinal, a militância de Harvey Milk no bom filme de Gus Van Sant vem a calhar, assim como os discursos por igualdade de direitos na festa do Oscar [aliás, estamos aí para engrossar o coro, fellas]. Um novo prêmio para Sean Penn faz todo o sentido, pois trata-se de uma atuação excelente. Pra quê duvidar, então? Pois faço questão de frisar: excelente sim, mas não assombrosa.
Assombroso é o que fez Mickey Rourke na pele d´O Lutador num dos melhores filmes do ano. Assombroso, dolorido e fulminante como Randy "The Ram" Robinson. Pontos altos surpreendentes. Existe até uma ponta hilária no fundo do poço - e você que não deixe passar em branco a cena da conversa de bar entre Randy e Cassidy, a amiga stripper [Marisa Tomei em grande forma - física, inclusive]: "O rock no anos 80 era muito melhor! Guns N´Roses, Def Lepard... tinha que vir aquele Kurt Cobain para estragar tudo?". Minutos depois, diante da pequena-grande glória, as caixas do cinema explodem Sweet Child O´Mine. Axl Rose faz agora todo o sentido que ficou pra trás em 1989.
Fora das obrigações contratuais e das funções políticas mortas, eu prefiro a não separação entre criador e criataura, poesia e vida, empirismo e intelectualidade, Baco & Apolo, suor e desejo - e quero mais é que no estômago do personagem estejam as células, os erros, as mazelas e a volta por cima do ator. Não engulo desculpas esfarrapadas e prêmios de consolação. Mas não há problemas, senhores da lei, eu não preciso de vocês para entregar ao meu herói uma pequena flor: "If I can't have thunder and lighting then I won't have anything"(Mickey Rourke , Observer).
"No Line on the Horizon é a terceira grande guinada da carreira da banda. Aqui, tentam superar a própria grandiosidade sonora e apostam em letras que buscam encerrar de modo poético a complexidade política e midiática destes tempos. Com os integrantes beirando os 50 anos, o U2, ao contrário de muitos roqueiros veteranos, não se esforça para manter uma juventude artificial. Envelhece antenado à sua época". Sylvia Colombo, Folha de S. Paulo
"Dentro do time de produtores da banda, Brian Eno e Daniel Lanois foram as figuras-chave na composição e execução das canções, enquanto Steve Lillywhite direcionou a sonoridade para o consumo de massa. Por sinal, trata-se do mesmo time que produziu The Unforgettable Fire (1985) e Achtung Baby (1991). Assim como esses discos, No Line on the Horizon é também um belo, corajoso, e altamente especulativo redesenho da sonoridade do U2", Andrew Perry, Telegraph.
"Get On Your Boots soa aborrecidamente como o U2 imitando o Muse. O que não é necessariamente ruim, mas assim como no álbum Pop, parece que o U2 vira seguidor e não líder" Chris Jones, BBC.
"Talvez o erro do U2 em No Line On The Horizon esteja na escolha do primeiro single. Get On Your Boots não combina com a atitude de renovação ostentada pelo disco, permanecendo na cômoda sombra dos hits mais recentes e menos ousados da carreira da banda - como Vertigo e All Because Of You . Por sorte, há coisas muito melhores para se ouvir num disco de faixas poderosas e robustas como Magnificent e Fez- Being Born, essas sim, remetedoras à velha entrega, à religiosidade e ao fervor - às vezes transecental - dos melhores anos do U2". Renata D´Elia, Revista Paradoxo. [Sorriam para a foto, crianças!]
"Em No Line... há a combinação dos timbres de teclados de garagem, gordas distorções de guitarra, e a bateria de fanfarra de Larry Mullen Jr., esse último tão firme e afiado que é difícil de dizer o que ele mesmo está fazendo e o que é looping (isso foi um elogio). The Edge toca um dos poucos solos no final de Unknown Caller, numa reta e extenuada atuação que força as notas até o limite do agudo. White as Snow é quieta - guitarra, teclado, Bono e harmonias, como se fosse The Crystal Ship dos Doors misturada com uma balada Apalache". David Frike, Rolling Stone.
"Em entrevista ao jornal Boston Herald, em novembro, Lillywhite disse acreditar que o U2 estaria "reinventando o rock" mais uma vez. Há um pouco de exagero nessa afirmação, mas é evidente que a banda assume riscos para não dormir no banco de reserva. (...) Só o tempo necessário para assimilá-lo dirá se realmente o U2 acabou de reinventar o rock. Ou não". Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S. Paulo.
"Cansado do Bono? Talvez. Cansado do U2? Ainda não". Charles Aaron, Spin.
"O que mais impressiona nesse follow-up de How to Dismantle an Atomic Bomb é a voz do Bono. Sempre soberano, até mesmo nas notas melodramáticas, ele grita, se entrega, se revira e se joga num terrítório mais cheio de alma, emoção e rock n´roll. Imagine tudo isso, ao vivo, num estádio". Iain Shedden, The Australian
"Na faixa-título, que abre o CD, um refrão cantarolado faz do vocalista - como se fosse preciso - o ponto principal, numa típica faixa do U2. A mesma grandiosidade quase messiânica está em Magnificent, que inicia com efeitos típicos de produtores para logo receber a indefectível guitarra de The Edge. Remete a várias fases do U2 em uma só música, como o início de carreira em The Unforgettable Fire e a ligação com as raízes da música norte-americana de Where The Streets Have No Name --presente no disco The Joshua Tree, de 1987". Marcos Bragatto, UOL.
É mais do que voar sonhando, sonhar nadando ou gozar dormindo; é como tocar o crepúsculo, arrebentar a bolha de muco, urrar pelos picos e libertar os punhos: eu atravesso agora a mesma película mágica dos nossos dias mais felizes, sou criança outra vez e nem desconfio. Existe algo de incrível quando os velhos segredos fazem sentido - a vida toda é caminhar por ciclos. And I´m no longer afraid of anything.
Estômago fraco não é meu forte Entre outras coisas, o inferno astral me deu uma bactéria no estômago, 15 dias de antibióticos, uma endoscopia, duas picadas no braço, quatro táxis e uma dor incessante por dentro das vísceras. O lado ruim é ficar de molho. O lado bom é fazer planos mirabolantes. O lado ruim é abstinência de coca-cola. O lado bom é que coca-cola dá celulite. O lado ruim é que eu ainda penso. O lado bom também.
Mas que Galinha! Primeiro arranhou, depois descosturou, rasgou e ainda comeu. Ela carrega o pedaço de espuma na boca, como se fosse um osso a esconder, e assim atravessa a casa meio fugitiva, de olhar atento, imaginando que é melhor correr antes que eu desça as escadas e me dê conta do acontecido. Ela sempre tem razão. Antes que eu lhe desse uma merecida chinelada - com a mesma Havaiana que ela escondeu e roeu da outra vez - penso que se trata apenas de uma cadela velha, do alto de seus 12 anos de vida, e tropeço no prato de ração (sabor cereais) enquanto Galinha estraçalha os restos mortais do pé do sofá, depois engole.
E.T., telefone, minha casa A conta de telefone da Mansão Figueiredo vencia no dia 1º de janeiro. Mamãe Figueiredo efetuou o pagamento num caixa eletrônico do Banco do Brasil, via código de barras, ainda no dia 30 de dezembro. 15 dias depois, a catarrenta Telefônica contata o mordomo da mansão e avisa que o pagamento em questão não foi detectado. Mamãe Figueiredo então, tenta resolver o mal entendido e fala com 15 atendentes e 15 gravações eletrônicas surdas & burras, e talvez até com a bicha Super 15, nos últimos 15 dias de janeiro, sob injusta ameaça de suspensão dos serviços. Decide então solicitar uma segunda via da conta de dezembro, enquanto paga a de janeiro. Depois procuraríamos um extorno, nem que fosse prlo Procon. Pagou uma taxa de 4 Reais.
E.T., Super 15, ainda mato esse filho da p... Passados outros 15 dias, a segunda via ainda não chegou e parmanece em atraso. Mas que atraso, afinal de contas? Não fomos nós que atrasamos nada! E eles cortam a linha telefônica. Afinal, eles podem tudo! É então que mãe e filha passam 15 + 15 + 15 minutos cada uma, soletrando instruções para a secretária eletrônica surda & burra,até que conseguem, finalmente, escutar a (não menos burra) atendente que afirma que "senhora, sua linha telefônica será normalizada apenas temporariamente, por 48 horas, enquanto a senhora efetua o pagamento online ou imprime sua segunda via pelo site".
E.T., é a puta que te pariu, meu nome é Zé Pequeno, porra! Não adianta dizer que eu já paguei 4 Reais há quase um mês por uma segunda via de conta que não veio e que ainda por cima já havia sido paga, conforme consta no comprovante bancário. Também não adianta acessar a internet e efetuar o pagamento, pois o site tampouco funciona. Mas enquanto mãe e filha - as duas tontas, otárias, palhaças -, comunicam à atendente que nada na empresa dela funciona (nem ela), a linha cai, a paciência acaba e a corda arrebenta, outra vez, do lado mais fraco.
Acaba dia 19 E até a Globeleza estará perdoada de todos os seus pecados pelos próximos trinta dias que virão. Rá!
1) Os que se declaram "pretensos críticos de cinema", mas nem sabem o que é isso. Só pose, mal feita ainda por cima. Sem paixão.
2) Gente que não toma banho e acha super normal sair de casa com cheiro de asa de morcego.
3) Hypezinhos, indiezinhos, moderninhos de balada.
4) Alpinistas de Gurgel ak.a. Alpinistas de Cobertor com Pulgas. Basicamente são aquelas menininhas toscas cujo sonho é ser a number 1 de algum pseudo-intelectual, pseudo-dramaturgo, pseudo-diretor de cinema, ou qualquer ser que possua um síbolo fálico pendurado em algum lugar do corpo. O importante é que eles sirvam para projetá-las, nem que seja num blog.
5) Povinho da rave (sorry to disappoint you, babies).
6) Balada mauricinha. Tipo aquelas em que os caras ficam posando de gatões com a cerveja na mão... e logo de cara te chamam pra subir no camarote.
7) Drug users que se acham superiores ao resto do planeta (deve mesmo ser efeito das drogas).
8) Pessoas corporativas. Aquele tipo de gente que se torna repetinamente uma PESSOA S/A assim que começa a trabalhar em alguma empresa relativamente famosa, geralmente nos setores de marketing ou comunicação (os engenheiros, GRAÇAS A DEUS, não precisam pagar tamanho mico, até porque costumam ganhar mais dinheiro com menos puxação de saco).
9) Namoradinhas babacas que realmente acham que você e todas as mulheres da mesa do bar estão de olho no namoradinho sem sal nem açúcar que ela arranjou para dizer ao mundo que ela não é loser, afinal, ela tem uma pica! E agora está motorizada!(O próximo passo é viajar pra Monte Verde ou Campos do Jordão e escrever 5 testemunhos melosos no Orkut).
10) Cobras venenosas & sem vida, disfarçadas de humanos com cara de cavalo ou de pudim (na maioria das vezes sem nenhum talento, nada a oferecer).
11) Gente acomodada que inventa desculpas para não correr atrás das coisas.
12) Gente que se diz "triste, precisando de ajuda", e que só ficará conetente quando você provar sua incondicional afeição e amizade se enfiando no mesmo buraco que ela. OUT!
13) Moralistas rasos (isso foi um pleonasmo?).
14) Miguxas. Especialmente aquelas que trabalham juntas, comporam roupas juntas, fazem fofoca juntas (e falam mal umas das outras), almoçasm juntas, vão ao happy hour juntas, pra balada juntas, viajam juntas, e passam o dia rindo de piadas infames no YouTube e comentando o Big Brother Brasil. Saem do trabalho às 8 da noite e depois dizem qe foi um dia cheio. (Costumeiramente passam a se detestar quando o Macho Alfa do serviço resoelve ficar logo com duas, três miguxas em menos de um mês).
15) Gente (chata) que viaja para a praia mas tem nojo de botar o pé na areia.
16) Gente (caipira) que viaja pra tirar foto do hotel.
17) Moleques babacas ouvindo putz-putz de quinta no último volume no carro ao lado.
18) Menininhas idiotas ultra-maquiadas na fila da balada mais paulistana de Floripa.
19) Ratinhos de academia.
20) Homem bombado e/ou de abdomem depilado.
21) Homem machista e ignorante (pleonasmo again!).
22) Piranhinha invejosa: é aquele tipinho insistente que tem como objetivo único na vida tascar o seu homem, já que não consegue logo tascar o seu cérebro, o seu espírito, a sua vida, e entrar no seu corpo. Geralmente, a piranhinha invejosa só consegue tascar aquele seu step mais mala e grudento, logo depois que você deu um fora nele. E aí a piranhinha invejosa e o macho ferido se juntam, como dois sacos vazios, duas pombas imundas,duas almas penadas, e não adianta nada pra nenhum dos dois. Afinal, você continua cuidando da sua vida, cercada de gente muito mais interessante que eles.
23) Fanáticos de todo tipo.
24) Fãs que pagam micos absurdos por seus ídolos.
25) Listas clichezentas, malinhas & ególatras (ok, vou me retirar).
Vamos dar uma rapidinha? Quero dizer, será mais rápido do que você imagina. Dê aí uma lidinha nos links indicados pela tia, salve nos seus favoritos, imprima e guarde pro metrô de amanhã, e prepare o seu arsenal de assuntos a gastar em encontros interessantes. Mas antes, muito antes disso tudo, deixe que alguns desses textos te levem daqui. And have a nice trip!
1) Entrevista de Marcelo Tas, publicada nas páginas negras da TRIP, por Ronaldo Bressane. Quando? Não sei, não olhei, qual é o problema? Largue a mão de ser preguiçoso e procure você mesmo, leitorzinho acomodado!
2) Direto do suplemento Matéria Biz de domingo passado, do jornal argentino El Clarín, dedicado ao mundo corporativo, finanças e marketing (imagine uma Você S/A, sem ser bundona) vem esse olhar inusitado sobre a estrutura organizacional super-poderosa-chefona da Família Corleone. Tá afim de montar uma lojinha, uma pastelaria, uma pet shop? Esqueça o Jovem Empreendedor do Sebrae! Clique aqui e anote as dicas.
3)Você sabe o que as mulheres querem? Aliás, você sabe mesmo o que quer, amigona? Na revista do The New York Times tem uma longa matéria tentando jogar uma luz sobre os desejos femininos mais íntimos na era do pós-feminismo. Tudo bem que essa mania de estatísticas "sexuais" que os americanos herdaram do Kinsey é bem da superficialzinha, mas não dá pra retirar deles os méritos de algumas pesquisas. Nossas mentiras mais íntimas, no entanto, permanecem guardadas. A pergunta que não cala é: pra quê dissimular tanto?
4) Leia aqui este ótimo perfil do agora desempregado maestro John Neschling, recém-demitido da OSESP. É do arquivo da piauí, e você precisa se cadastrar gratuitamente para ter acesso. Quem captou o espírito da figura foi o jornalista Roberto Kaz.
5) Se você detesta Renato Russo, clique aqui. Se você idolatra Renato Russo (get a life!) também clique aqui. Se você só quer dar uma lida num perfil diferente de Renato Russo, escrito pelo Cadão Volpato, meio que num túnel do tempo até 1984, clique aqui. Se você não gostar, reclame com a piauí.
6) "Aprendendo a Ser Gay Talese". Bem, talvez nem comendo muito arroz feijão com farofa & tomando doses cavalares de Biotônico Fontoura pra conseguir. Mas o Jorge Pontual se encontrou com um dos maiores mestres do meu ofício e reportou na Brasileiros, em julho de 2007.
8) Há um bonito calendário sobre a mesa de Pedro Almodóvar. O The Guardian, ou melhor, o repórter Simon Hettenstone, entrou na sala dele e conversou longamente com o tio. Mas o perfil ainda vale a pena, e muito. E aqui tem outra mais poderosa ainda do nosso madrilenho mais querido.
9) Oscar Maroni começou vendendo hot dog na rua e se tornou o maior magnata brasileiro do sexo. É dono das revistas Hustler e Penthouse no Brasil, e também do polêmico Bahamas Club, e foi alvo de diferentes pressões populares e políticas, uma para prendê-lo e outra para soltá-lo: FREE MARONI! A entrevista não é das mais brilhantes. Mas quer saber com quantas ele já se relacionou? Clicaí no IG.
10) Marlon diante de Truman, Capote diante de Brando. Um dos encontros mais inusitados - e míticos, por assim dizer - da cena americana dos anos 50, aconteceu entre um dos ateores do cinema mundial e um dos mais ousados jornalistas ever. O resultado foi esse clássico perfil de Marlon Brando publicado pela revista New Yorker, em 1957.
1) Fernando Niero me deu uma guitarra velha de guerra (porém bonita e com um timbre bem do bacanudo), precisando de reforma. E foi o melhor presente que já ganhei.
2) Uma velha amiga e eu, sentadas descalças no quintal, durante uma tarde de sol. Nem era preciso tantas latas de cerveja: nossos futuros agora nos pegam pelas orelhas; e nós sempre soubemos que esses dias iriam chegar.
Em todos os cadernos os títulos vão de rosa, os enunciados de azul e as correções de verde; as contas na ponta do lápis, por sua vez, nunca deram certo. Em todas as páginas tem uma cruz dentro de uma bola e outra cruz fora, encostadas à linha vermelha, pela borda esquerda do universo juvenil. Nas páginas brancas há desenhos de nuvens & sóis felizes - com olhos, boca, nariz e sobrancelhas -, e também flores delicadas de miolo amarelo, grama gótica, árvores gigantes, e pessoas-palito com cabeças redondas. Nas primeiras páginas, alguns esboços ainda traçam corações tortos.
Uma deusa, uma louca, uma feiticeira? Uma pomba, um telettubie, uma atriz pornô? Uma nova integrante da creche da Jolie? Eu sei, minha gente, eu sei quem ela é! Eu e a Inglaterra toda, vejam bem. Peaches Honeyblossom Michelle Charlotte Angel Vanessa é filha do santo Bob Geldof com a falecida Paula Yates, e meia-irmã de Heavenly Heerani Tiger Lilly, a caçula de mamis com o também falecido Michael Hutchence.
Antes da fama, da cama, da lama, Poor Peaches era uma criança rica, mas normal. Quer dizer, normal, mas rica. Sentava-se ao lado das meninas mais chatas da escola mais cara de Londres, era gordinha e saía com cara de lua nas fotos, e tinha acesso a todas as diversões e brinquedos do mundo, exceto o Meu Primeiro Gradiente, a Lu Patinadora, o Pense Bem e a piscina de plástico da Turma da Mônica, versão 500 litros (100% Jaçanã).
Aos 7 anos já havia frequentado o colo do santo Bono, conhecido as netas de Sir Paul McCartney, e brincado de casinha com as filhas mimadas dos principais líderes políticos mundiais; já se interessava pela causa das baleias, militava com radicais vegetarianos, colecionava iguanas & jibóias com nome de gente, e cultuava vacas indianas. Por outro lado, também experimentou comer sabonete, bebeu água da chuva imaginando a sobrevivência na selva, e grudou muitas cacas de nariz debaixo da mesa durante o jantar.
Aos 9 anos, conta uma ex-babá, Peaches e sua irmã Fifi disputaram o torneio interestrelar do suco de laranja pelo nariz. Funcionava assim: as duas deveriam ingerir, ao mesmo tempo, a mesma quantidade de suco de laranja, o suficiente para encher completamente as bocas de ambas, e depois deveriam olhar fixamente uma para a outra, sem poder engolir, nem cuspir, nem rir. A primeira que risse, botaria o suco pra fora pelo nariz. E na segunda rodada, pelas orelhas. E na terceira, pelos olhos, e na quarta pelo dedão do pé.
Sua Barbie morena foi presa por digirir embriagada um Courvette rosa-choque e, no momento do flagrante, vestia somente uma camiseta regata furada e uma meia arrastão. Peaches tinha 10 anos. Aos 11, passou quarenta minutos beijando na boca da prima: primeiro selinho, depois de língua, depois tomaram banho juntas e ouviram Stand By Me. Mas podia ser Ilariê. Ou OldMcDonald has a farm...
Aos 12 já havia perdido a mãe, e sabia que não tinha sido Aspirina. Mas levava uma vida sossegada, gostava de sombra e água fresca. Aos 16, foi morar sozinha e descobriu que queria mesmo era ser porra-louca like Paris: I wanna be Paris, for paris, forever. E agora pinta, borda, canta, dança e sapateia. Quero crer que não rebola, mas bola. É personalidade fashion, ou pelo menos persona. Aos 19, casou-se de surpresa e se exilou, em Nova York. Estuda Letras e montou uma revista. Toca o puteiro, mas não se toca. Tocaí, mano: a gente é pobre, mas é feliz.
Obs: Preciso dizer que o perfil é fictício mas a personagem é real?
"Eu disse pro meu filho: "A atração é apenas 10% do casamento. Eu sei que você pensa que sexo é tudo, mas é o que menos você vai fazer". Ele disse: "E o que se faz mais?" Respondi: Conversar".EvanderHolyfield, boxeador
"Eu não acho justo que uma criança venha ao mundo e tenha de ser fotografada. Elas não escolheram essa vida". Paris Hilton, joker (?)
"Harvey Milk acreditava que se todos os gays saíssem do armário, todo mundo tomaria conhecimento de algum gay ou lésbica em seu círculo de amigos ou família. E é muito mais difícil detestar alguém que você já conhece, já ama".Gus Van Sant, cineasta
"Ísso é política pra mim: Alguém lhe diz que as árvores da sua rua estão infectadas com alguma coisa. Os vizinhos de um lado acham que dando água e comida, tudo se resolve. Os do outro lado querem que elas sejam derrubadas e queimadas para impedir que outras ruas sejam infectadas. Isso é política. E eu penso:"Quem disse que as árvores estão doentes? E como essa doença se manifesta? Não será somente um ciclo da natureza se manifestando? E quem disse isso, outra vez? E quando eles estiveram na rua, pra poder dizer?". Mas as pessoas apenas gritam: "Derrubem-nas, queimem-nas! ou "Dêem água e comida!", e você tem apenas duas escolhas. Sorry, eu não acredito nisso". John Malkovich, ator
"Você tem que considerar que o Reagn era vinte anos mais velho que eu. Ele tinha a idade da minha mãe. Havia um gap geracional. Durante as conversas, ele tentava me dar lições de moral, me ensinar as coisas. Um dia, disse a ele: ´Mr. President, você não é meu professor, e eu não sou seu aluno. Você não é juíz, nem eu estou sendo julgado. Então, não vamos submeter um ao outro a discursos desse tipo. Vamos direto ao ponto. Se você quiser me doutrinar, podemos terminar por aqui, porque não teremos como conversar´. Ele ficou bem bravo. Mas não muito tempo depois, ele me disse: ´Por que não nos chamamos pelos nomes? Você me chama de Ron, e eu te hamo de Mikhail´. Foi um passo importante". Mikhail Gorbachev, ex-presidente da URSS
"Esteja cara a cara com um cadáver, pelo menos uma vez. A absoluta falta de vida é um dos confrontos mais incômodos e desafiadores que você vai ter".David Bowie, camaleão
"Antes de começar a dirigir, eu raramente falava. Edward Mãos de Tesoura era sobre isso: ter um monte de sentimentos sem conseguir projetá-los". Tim Burton, cineasta
"Desde o princípio, eu sabia, intuitivamente, que nada mais era tão tranqüilo quanto a música, e que ninguém poderia me dizer o que fazer. A música não precisava de mediadores, enquanto tudo na escola precisava de explicação". Eric Clapton, guitar hero
* Todas as frases acima foram retiradas de entrevistas para a Esquire. E agora vamos trocar o disco da vitrola, ok?
"Um homem parte desse mundo, como se fosse uma flecha. Não escolheu este fim, mas parece ter abraçado o destino em seus últimos instantes de vida. Poderia estar voando, se não estivesse caindo. Parece relaxado, viajando no ar. Também parece confortável, dominando o impulso. Não se mostra intimidado pela divina aspiração da gravidade, nem pelo que lhe espera depois. Os braços, ao lado do corpo, estão levemente arqueados. A perna esquerda se dobra no joelho quase casualmente. A camisa,jaqueta ou bata branca, flana independente da calça. Os sapatos pretos ainda calçam os pés. Em todas as demais fotos dos atentados às Torres Gêmeas, as pessoas que faziam o mesmo - saltavam - pareciam lutar contra as terríveis discrepâncias de escalas, fracas ao lado das torres colossais e diante do acontecimento em si. Alguns estão sem camisa, seus sapatos voam separados dos corpos descontrolados que se debatem e caem; todos parecem confusos, como se nadassem montanha abaixo. O homem da foto, ao contrário, está na vertical e completamente de acordo com as linhas dos prédios por trás dele".
Ok, a tentativa de tradução aí em cima foi minha. Mas o que interessa não é isso. O que interessa é que em 2003, o repórter Tom Junod foi escalado pelos editores da Esquire para contar a história por trás da foto clicada por Richard Drew, da Associated Press, na cobertura dos atentados de 11 de setembro de 2001. The Falling Man foi eleita pela revista como uma das principais reportagens de sua história, figurando ao lado do perfil Frank Sinatra Está Resfriado[1966], que graças ao faro astuto, à observação incessante, e ao brilhante texto de Gay Talese, tornou-se um dos mais aclamados perfis do jornalismo mundial. Todos os textos estão disponíveis na íntegra [in english], na página da Esquire desde 2007. Tem também The Last American Hero Is Junior Johnson. Yes!, de Tom Wolfe , e o impagável Superman Comes To The Supermarket, de Norman Mailer.
"Uma vez eu estava numa cachoeira, numa trilha na Chapada Diamantina, acho que já com oxigênio de mais ou de menos na cabeça. E aí eu vi um mundo muito grande, uma cachoeira de 30 metros, uma visão muito maluca. E de repente fui transportada mentalmente para uma cabine de cinema. E imaginei todo mundo [do jornalismo cultural] trancado na cabine, quando é preciso reecontrar o mundo. As notícias estão no mundo, e não no Outlook Express. Hoje o jornalismo depende do Outlook - o que entrar, é notícia, e o que não estiver ali não entra. Talvez uma matéria esteja numa caminhada por algum lugar ou numa conversa com pessoas que não sejam seus amigos de sempre, do jornalismo cultural, porque esse também é um mundo que se retroalimenta. A cultura está por aí, por todos os lugares. Os personagens estão em todos os lugares". By Ana Paula Sousa
Não sou jornalista, mas arrisco mencionar alguns fatores que, somados, talvez possam explicar um pouco essa situação [do jornalismo unicamente focado no produto final]: preguiça jornalística; falta de cobrança do público leitor; pouquíssimos jornalistas realmente aptos a falar de cultura enquanto política; influência das assessorias de imprensa e da indústria cultural na definição de pautas; revistas e jornais que subestimam seus leitores; jornalistas culturais que preferem agir como "críticos de arte" do que como verdadeiros jornalistas. Como reverter esse quadro? É provável que a resposta passe pela seguinte questão: a cultura no Brasil ainda não é vista como algo fundamental e transversal. Se algum dia nossa sociedade e governos chegarem, de fato, a essa compreensão, a imprensa deverá acompanhar a mudança de visão. By André Fonseca
"Acho que só sobreviverá o jornalismo muito bem escrito e que dê conta dos movimentos culturais. O Brasil mudou nos últimos 10 anos, mas o jornalismo cultural mudou muito pouco e continua não vendo nada. O jornalista cultural só sabe olhar pro mundo com uma coleira no pescoço, e a única saída é tirar essa coleira. Mas enquanto o cara não sair da tela do Outlook, não vai ter jeito. Da tela do Outlook e do pedestal, né? Porque é incrível: trata-se de um tipo de jornalismo que repercute muito pouco e ainda assim as pessoas são arrogantes! Imagine se essas pessoas tivessem poder pra derrubar um presidente, de falar do que acontece em Wall Street, onde elas se colocariam? Esta arrogância é incompatível". By Ana Paula Sousa
As aspas de Ana Paula Sousa, ex-editora de cultura da Carta Capital, que agora prepara uma nova publicação de cultura pela Editora Matraca, foram retiradas da entrevista feita pelo André Fonseca para o podcast do blog Cultura em Pauta, bem aqui.
Para ler a íntegra da entrevista concedida pelo André Fonseca ao Julio Daio Borges no site Digestivo Cultural, clique aqui e vá buscar uma pipoca, sem deixar de prestar atenção no debate sobre o amadorismo dos artistas, o conservadorismo das empresas e as deficiências das políticas públicas para a cultura no Brasil, além de outras questões nem tão simples assim.