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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

The big rock & pop in 2010


No rock n´roll existe um consenso de que banda boa é banda média: nem tão obscura e ainda semi-profissional -- tocando pra 100 pessoas num inferninho qualquer --, nem grande a ponto de lotar estádios e se acomodar na fórmula consagradora, abusando de palcos gigantescos e turnês ambiciosas, milhas distante das ousadias e de qualquer experimentalismo que afaste as massas.

Por isso me admirei com o No Line On The Horizon, do U2, lançado em março desse ano. Pelo menos arejaram a sonoridade, ainda que com os mesmos ares de The Joshua Tree [1987] e Achtung Baby [1991], também produzidos por Brian Eno e Daniel Lanois. Mas ao contrário das guitarrinhas inofensivas e das melodias chorosas de All That You Can´t Leave Behind [2000] e How to Dismantle An Atomic Bomb [2004], No Line pelo menos convida o ouvinte a levantar a bunda do sofá e levar seus sentidos pra dar uma voltinha.

Quem não curtiu foi o público: o disco mal vendeu 1 milhão de cópias, segundo o The Guardian. Podem culpar a cauda longa da internet ou a crise econômica. Podem culpar o Michael Jackson que, depois de morto, roubou quase toda atenção do showbizz e vendeu 6 milhões de discos em 4 meses só com a coletânea Number Ones. Mas basta reparar no público dos shows da 360° Tour, ou mesmo das duas turnês anteriores, se você esteve em algum deles: quantos discos do U2 você acha que esse povo tem? E quais serão os preferidos desse público? Não devem ser Boy [1980], War[1983] ou Unforgetable Fire [1984].

Veja bem: o U2 toca em estádios há pelo menos 25 anos. Tem cara de banda grande. Sonoridade de banda grande. Atitude política de banda grande. Você imagina hinos como Pride ou Where The Streets Have No Name executados em caverninhas habitadas por gente triste, pseudo-intelectuais e alternativinhos de plantão? Como é que se pega uma canção cheia de camadas climáticas como The Unforgetable Fire e se toca em outro lugar que não seja um estádio, pra milhares de seres dispostos a encarar uma catarse coletiva e cantar pra vizinhança toda ouvir? Não entendo, portanto, a crítica à grandeza.

O Brian Eno entende. Em excelente entrevista publicada pelo Pitchfork, o mitaço foi logo quebrando alguns sensos comuns. "Eles [U2] já fizeram várias mudanças significantes em vários pontos da carreira. Eles são, na verdade, uma banda muito experimental, mas por causa da forma da música deles, muita gente não reconhece. Se fosse alguma banda indie obscura, as pessoas provavelmente pensariam: 'Deus, eles são demais! Continuam surgindo sempre com coisas novas!'. Mas porque venderam milhões de discos, os experimentos passam batidos' (...) E eles não são exatamente o tipo de banda que quer perder adeptos durante a caminhada".

Enquanto isso, na cultuada nuvem do Radiohead, Thom Yorke coça o nariz e todos dizem que é arte.

A dupla de grafiteiros osgemeos vai aos poucos se transformando num fenômeno pop Romero Brito [em breve canecas e reproduções na Tok & Stok]. Começa a contagem regressiva para que os alternativos procurem outra alternativa.

Voltando à Irlanda. Se o dilema do U2 é descobrir se vai 1) sentar a bunda 2) ousar e perder adeptos 3) descobrir como ousar sem espantar os aderentes da dieta pop-easy nesse novo e muito louco modelo de negócios da música, restará, de fato, saber pra onde vai o rock de massas num cenário cada vez mais segmentado.

Pelo menos com shows, que seguem lotados e muitíssimo bem produzidos, Bono & cia podem sossegar. Ou não. O que se vê, na 360° -- de forma ainda mais evidente após assistir ao This Is It de Michael Jackson -- é uma banda que faz um puta show, mas se acomoda no set-list , sob medida para o público de ATYCLB e HTDAAB, com músicos que se cansam por saracotear num palco monstruoso, enquanto tocam, cantam e interagem com o público.

Faz parte do conceito mega-pop. Mas me parece cruel para uma banda de rock. Mais cruel ainda para um fã de música, cercado por gente greatest hits, que prefere o telão. [É claro que eu também vejo o telão, mas péra lá]. Michael Jackson, nos ensaios de TII, não parecia menor que a infra-estrutura. Tudo bem que essa pergunta já foi feita outras vezes, mas pra onde é que o U2 vai depois de um palco giratório e uma garra gigante? Onde estará o U2 no meio da próxima parafernália?

A colunista Sônia Racy, do jornal O Estado de S. Paulo, confirmou essa semana 3 shows do u2 com a turnê 360°C em São Paulo e 1 no Rio de Janeiro, em novembro de 2010. Guarde grana e chegue cedo para garantir o seu lugar na fila. Vá com fé.

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Donna Madonna vem ao Brasil semana que vem prestigiar a terra de seu iluminado gigolô nazareno. Essa é outra que ficou escrava do padrão pop que criou. Mas o que a gente faz? O que se viu ano passado na etapa brasileira da Sticky & Sweet Tour foi estilo Madonna: cronometrado, bem feito, valendo a pena, mas sem um pingo de mágica. Se eu fosse ela, aos 51, daria um basta nas cadelas do telão e apostaria no minimalista: uma boa banda, com arranjos modernizados -- mais rústicos e menos plastificados -- e, acima de tudo, gogó. Será que a burocrata topa? Recorte a apresentação de Bad Girl ao vivo no Saturday Night Live back in the 90´s e cole na boa versão de Ray Of Light by Snow Patrol. Me diga o que acha.

Quero dizer, e só um chute. Um devaneio. Não custa imaginar.




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Outras verdades sobre o novo do U2

"No Line on the Horizon é a terceira grande guinada da carreira da banda. Aqui, tentam superar a própria grandiosidade sonora e apostam em letras que buscam encerrar de modo poético a complexidade política e midiática destes tempos.
Com os integrantes beirando os 50 anos, o U2, ao contrário de muitos roqueiros veteranos, não se esforça para manter uma juventude artificial. Envelhece antenado à sua época". Sylvia Colombo, Folha de S. Paulo

"Dentro do time de produtores da banda, Brian Eno e Daniel Lanois foram as figuras-chave na composição e execução das canções, enquanto Steve Lillywhite direcionou a sonoridade para o consumo de massa. Por sinal, trata-se do mesmo time que produziu The Unforgettable Fire (1985) e Achtung Baby (1991). Assim como esses discos, No Line on the Horizon é também um belo, corajoso, e altamente especulativo redesenho da sonoridade do U2", Andrew Perry, Telegraph.

"Get On Your Boots soa aborrecidamente como o U2 imitando o Muse. O que não é necessariamente ruim, mas assim como no álbum Pop, parece que o U2 vira seguidor e não líder" Chris Jones, BBC.

"Talvez o erro do U2 em No Line On The Horizon esteja na escolha do primeiro single. Get On Your Boots não combina com a atitude de renovação ostentada pelo disco, permanecendo na cômoda sombra dos hits mais recentes e menos ousados da carreira da banda - como Vertigo e All Because Of You . Por sorte, há coisas muito melhores para se ouvir num disco de faixas poderosas e robustas como Magnificent e Fez- Being Born, essas sim, remetedoras à velha entrega, à religiosidade e ao fervor - às vezes transecental - dos melhores anos do U2". Renata D´Elia, Revista Paradoxo. [Sorriam para a foto, crianças!]

"Em No Line... há a combinação dos timbres de teclados de garagem, gordas distorções de guitarra, e a bateria de fanfarra de Larry Mullen Jr., esse último tão firme e afiado que é difícil de dizer o que ele mesmo está fazendo e o que é looping (isso foi um elogio). The Edge toca um dos poucos solos no final de Unknown Caller, numa reta e extenuada atuação que força as notas até o limite do agudo. White as Snow é quieta - guitarra, teclado, Bono e harmonias, como se fosse The Crystal Ship dos Doors misturada com uma balada Apalache". David Frike, Rolling Stone.

"Em entrevista ao jornal Boston Herald, em novembro, Lillywhite disse acreditar que o U2 estaria "reinventando o rock" mais uma vez. Há um pouco de exagero nessa afirmação, mas é evidente que a banda assume riscos para não dormir no banco de reserva. (...) Só o tempo necessário para assimilá-lo dirá se realmente o U2 acabou de reinventar o rock. Ou não". Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S. Paulo.

"Cansado do Bono? Talvez. Cansado do U2? Ainda não". Charles Aaron, Spin.

"O que mais impressiona nesse follow-up de How to Dismantle an Atomic Bomb é a voz do Bono. Sempre soberano, até mesmo nas notas melodramáticas, ele grita, se entrega, se revira e se joga num terrítório mais cheio de alma, emoção e rock n´roll. Imagine tudo isso, ao vivo, num
estádio". Iain Shedden, The Australian


"Na faixa-título, que abre o CD, um refrão cantarolado faz do vocalista - como se fosse preciso - o ponto principal, numa típica faixa do U2. A mesma grandiosidade quase messiânica está em Magnificent, que inicia com efeitos típicos de produtores para logo receber a indefectível guitarra de The Edge. Remete a várias fases do U2 em uma só música, como o início de carreira em The Unforgettable Fire e a ligação com as raízes da música norte-americana de Where The Streets Have No Name --presente no disco The Joshua Tree, de 1987". Marcos Bragatto, UOL.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

U2 - "No Line On The Horizon"

É mais do que voar sonhando, sonhar nadando ou gozar dormindo; é como tocar o crepúsculo, arrebentar a bolha de muco, urrar pelos picos e libertar os punhos: eu atravesso agora a mesma película mágica dos nossos dias mais felizes, sou criança outra vez e nem desconfio. Existe algo de incrível quando os velhos segredos fazem sentido - a vida toda é caminhar por ciclos. And I´m no longer afraid of anything.