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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Clippamos bem para clippar sempre

Vamos dar uma rapidinha? Quero dizer, será mais rápido do que você imagina. Dê aí uma lidinha nos links indicados pela tia, salve nos seus favoritos, imprima e guarde pro metrô de amanhã, e prepare o seu arsenal de assuntos a gastar em encontros interessantes. Mas antes, muito antes disso tudo, deixe que alguns desses textos te levem daqui. And have a nice trip!

1) Entrevista de Marcelo Tas, publicada nas páginas negras da TRIP, por Ronaldo Bressane. Quando? Não sei, não olhei, qual é o problema? Largue a mão de ser preguiçoso e procure você mesmo, leitorzinho acomodado!

2) Direto do suplemento Matéria Biz de domingo passado, do jornal argentino El Clarín, dedicado ao mundo corporativo, finanças e marketing (imagine uma Você S/A, sem ser bundona) vem esse olhar inusitado sobre a estrutura organizacional super-poderosa-chefona da Família Corleone. Tá afim de montar uma lojinha, uma pastelaria, uma pet shop? Esqueça o Jovem Empreendedor do Sebrae! Clique aqui e anote as dicas.

3)Você sabe o que as mulheres querem? Aliás, você sabe mesmo o que quer, amigona? Na revista do The New York Times tem uma longa matéria tentando jogar uma luz sobre os desejos femininos mais íntimos na era do pós-feminismo. Tudo bem que essa mania de estatísticas "sexuais" que os americanos herdaram do Kinsey é bem da superficialzinha, mas não dá pra retirar deles os méritos de algumas pesquisas. Nossas mentiras mais íntimas, no entanto, permanecem guardadas. A pergunta que não cala é: pra quê dissimular tanto?

4) Leia aqui este ótimo perfil do agora desempregado maestro John Neschling, recém-demitido da OSESP. É do arquivo da piauí, e você precisa se cadastrar gratuitamente para ter acesso. Quem captou o espírito da figura foi o jornalista Roberto Kaz.

5) Se você detesta Renato Russo, clique aqui. Se você idolatra Renato Russo (get a life!) também clique aqui. Se você só quer dar uma lida num perfil diferente de Renato Russo, escrito pelo Cadão Volpato, meio que num túnel do tempo até 1984, clique aqui. Se você não gostar, reclame com a piauí.

6) "Aprendendo a Ser Gay Talese". Bem, talvez nem comendo muito arroz feijão com farofa & tomando doses cavalares de Biotônico Fontoura pra conseguir. Mas o Jorge Pontual se encontrou com um dos maiores mestres do meu ofício e reportou na Brasileiros, em julho de 2007.

7) Gay marriage & wedding industry. Está aqui, na Radar. Chega mais.

8) Há um bonito calendário sobre a mesa de Pedro Almodóvar. O The Guardian, ou melhor, o repórter Simon Hettenstone, entrou na sala dele e conversou longamente com o tio. Mas o perfil ainda vale a pena, e muito. E aqui tem outra mais poderosa ainda do nosso madrilenho mais querido.

9) Oscar Maroni começou vendendo hot dog na rua e se tornou o maior magnata brasileiro do sexo. É dono das revistas Hustler e Penthouse no Brasil, e também do polêmico Bahamas Club, e foi alvo de diferentes pressões populares e políticas, uma para prendê-lo e outra para soltá-lo: FREE MARONI! A entrevista não é das mais brilhantes. Mas quer saber com quantas ele já se relacionou? Clicaí no IG.

10) Marlon diante de Truman, Capote diante de Brando. Um dos encontros mais inusitados - e míticos, por assim dizer - da cena americana dos anos 50, aconteceu entre um dos ateores do cinema mundial e um dos mais ousados jornalistas ever. O resultado foi esse clássico perfil de Marlon Brando publicado pela revista New Yorker, em 1957.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Talk, talk, talk


"Eu disse pro meu filho: "A atração é apenas 10% do casamento. Eu sei que você pensa que sexo é tudo, mas é o que menos você vai fazer". Ele disse: "E o que se faz mais?" Respondi: Conversar". Evander Holyfield, boxeador


"Eu não acho justo que uma criança venha ao mundo e tenha de ser fotografada. Elas não escolheram essa vida". Paris Hilton, joker (?)


"Harvey Milk acreditava que se todos os gays saíssem do armário, todo mundo tomaria conhecimento de algum gay ou lésbica em seu círculo de amigos ou família. E é muito mais difícil detestar alguém que você já conhece, já ama". Gus Van Sant, cineasta

"Ísso é política pra mim: Alguém lhe diz que as árvores da sua rua estão infectadas com alguma coisa. Os vizinhos de um lado acham que dando água e comida, tudo se resolve. Os do outro lado querem que elas sejam derrubadas e queimadas para impedir que outras ruas sejam infectadas. Isso é política. E eu penso:"Quem disse que as árvores estão doentes? E como essa doença se manifesta? Não será somente um ciclo da natureza se manifestando? E quem disse isso, outra vez? E quando eles estiveram na rua, pra poder dizer?". Mas as pessoas apenas gritam: "Derrubem-nas, queimem-nas! ou "Dêem água e comida!", e você tem apenas duas escolhas. Sorry, eu não acredito nisso". John Malkovich, ator

"Você tem que considerar que o Reagn era vinte anos mais velho que eu. Ele tinha a idade da minha mãe. Havia um gap geracional. Durante as conversas, ele tentava me dar lições de moral, me ensinar as coisas. Um dia, disse a ele: ´Mr. President, você não é meu professor, e eu não sou seu aluno. Você não é juíz, nem eu estou sendo julgado. Então, não vamos submeter um ao outro a discursos desse tipo. Vamos direto ao ponto. Se você quiser me doutrinar, podemos terminar por aqui, porque não teremos como conversar´. Ele ficou bem bravo. Mas não muito tempo depois, ele me disse: ´Por que não nos chamamos pelos nomes? Você me chama de Ron, e eu te hamo de Mikhail´. Foi um passo importante". Mikhail Gorbachev, ex-presidente da URSS

"Esteja cara a cara com um cadáver, pelo menos uma vez. A absoluta falta de vida é um dos confrontos mais incômodos e desafiadores que você vai ter". David Bowie, camaleão

"Antes de começar a dirigir, eu raramente falava. Edward Mãos de Tesoura era sobre isso: ter um monte de sentimentos sem conseguir projetá-los". Tim Burton, cineasta

"Desde o princípio, eu sabia, intuitivamente, que nada mais era tão tranqüilo quanto a música, e que ninguém poderia me dizer o que fazer. A música não precisava de mediadores, enquanto tudo na escola precisava de explicação". Eric Clapton, guitar hero


* Todas as frases acima foram retiradas de entrevistas para a Esquire. E agora vamos trocar o disco da vitrola, ok?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

The Falling Man



"Um homem parte desse mundo, como se fosse uma flecha. Não escolheu este fim, mas parece ter abraçado o destino em seus últimos instantes de vida. Poderia estar voando, se não estivesse caindo. Parece relaxado, viajando no ar. Também parece confortável, dominando o impulso. Não se mostra intimidado pela divina aspiração da gravidade, nem pelo que lhe espera depois. Os braços, ao lado do corpo, estão levemente arqueados. A perna esquerda se dobra no joelho quase casualmente. A camisa,jaqueta ou bata branca, flana independente da calça. Os sapatos pretos ainda calçam os pés. Em todas as demais fotos dos atentados às Torres Gêmeas, as pessoas que faziam o mesmo - saltavam - pareciam lutar contra as terríveis discrepâncias de escalas, fracas ao lado das torres colossais e diante do acontecimento em si. Alguns estão sem camisa, seus sapatos voam separados dos corpos descontrolados que se debatem e caem; todos parecem confusos, como se nadassem montanha abaixo. O homem da foto, ao contrário, está na vertical e completamente de acordo com as linhas dos prédios por trás dele".

Ok, a tentativa de tradução aí em cima foi minha. Mas o que interessa não é isso. O que interessa é que em 2003, o repórter Tom Junod foi escalado pelos editores da Esquire para contar a história por trás da foto clicada por Richard Drew, da Associated Press, na cobertura dos atentados de 11 de setembro de 2001. The Falling Man foi eleita pela revista como uma das principais reportagens de sua história, figurando ao lado do perfil Frank Sinatra Está Resfriado[1966], que graças ao faro astuto, à observação incessante, e ao brilhante texto de Gay Talese, tornou-se um dos mais aclamados perfis do jornalismo mundial. Todos os textos estão disponíveis na íntegra [in english], na página da Esquire desde 2007. Tem também The Last American Hero Is Junior Johnson. Yes!, de Tom Wolfe , e o impagável Superman Comes To The Supermarket, de Norman Mailer.