O post é rápido: a revista Rolling Stone de novembro, com Jô Soares na capa, traz resenha de "Os Dentes da Memória - Piva, Willer, Franceschi, Bicelli e Uma Trajetória Paulista de Poesia" (Azougue Editorial), que escrevi com a Camila Hungria. O link está aqui. A resenha é do Mauricio Duarte.
Mostrando postagens com marcador rolling stone. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rolling stone. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 22 de novembro de 2011
domingo, 7 de dezembro de 2008
100 + voices
A Rolling Stone americana publicou a lista dos 100 cantores mais importantes da era do rock. Isso significa que devemos pensar "os" e "as" maiores desde a segunda metade da década de 1950, certo?
A missão difícil ficou por conta de críticos, produtores musicais e grandes astros do rock n´roll ainda em atividade. Sobre Bono, Billie Joe [do Green Day] começa assim: "A voz dele é 50% Guinness, 10% nicotina, e o resto é religiosidade".
Patrick Stump, do Fall Out Boy, resume Michael Jackson: "Um dos elementos chave do estilo dele é o uso da voz como instrumento musical". E completa: "Diante de alguém tão grande, é comum perdermos a noção do quão vanguardista e revolucionário essa pessoa é, mas Michael Jackson definitivamente ultrapassou todas as fronteiras do R&B". Verdade, Patrick. O negro leve da foto abaixo era realmente "o cara".
Há controvérsias na listinha. Entre os homens, Steven Tyler, Morrissey e Joe Cocker também ficaram lá pra trás. O barítono elegante e inconfundível de Dave Gahan nem sequer entrou na dança. Não sei dizer se a qualidade de Chris Robinson, do Black Crowes, foi corretamente deixada de lado porque, afinal de contas, os pais espirituais do moço [nitidamente teletransportado dos anos 70], estão por ali. Segundo meu amigo Daniel Faria, faltou Michael Stipe.
Entre as mulheres, a desmerecida presença de uma Christina Aguilera acaba deixando de fora a inegável relevância de Chrissie Hynde, principalmente se o critério for a influência nas novas queridinhas, como Lilly Allen. Deixar uma Annie Lenox pro rabo da lista é descosiderar não somente um primoroso e único vocal, mas o peso geracional por trás disso. A força e a sigularidade de uma Sinéad O´Connor nem ao menos é citada. Onde estarão kd lang e Beth Gibbons? Ofuscadas pela gritaria over de Mariah Carrey?
O que eu vou deixar aqui é a minha listinha dos 10+, só pra variar. Como sempre, o critério é o desbunde, a permanência no dial, a admiração pessoal, e claro, uma consideração pela técnica [ou o total despojo da falta dela]. Vamos tratar também de reparar algumas injusticinhas, embora seja meio impossível escapar do clichê na categoria testosterona.
LITTLE GIRL´S ROOM
1) Janis Joplin
2) Nina Simone
3) Tina Turner
4) Aretha Franklin
5) Sinéad O´Connor
6) Beth Gibbons
7) Chrissie Hynde
8) Patti Smith
9) kd lang
10) Siouxsie Sioux [outra que ficou de fora]
Bonus choice: 11) Björk
LITTLE BOY´S ROOM
1) Freddie Mercury
2) Robert Plant
3) Mick Jagger
4) Marvin Gaye
5) Michael Jackson
6) Stevie Wonder
7) Jim Morrison
8) David Bowie
9) Bono
10) Jeff Buckley/Thom Yorke [serei obrigada a dividir a posição entre os dois]
Bonus choice: 11) Dave Gahan
Nacionalistas, não se preocupem: ano que vem, provavelmente, a Rolling Stone brasileira dará suas cartas na lista tupiniquim. Quando isso acontecer, a gente comenta por aqui, com uma porção de tremosos & umas cervejinhas.
A missão difícil ficou por conta de críticos, produtores musicais e grandes astros do rock n´roll ainda em atividade. Sobre Bono, Billie Joe [do Green Day] começa assim: "A voz dele é 50% Guinness, 10% nicotina, e o resto é religiosidade".
Patrick Stump, do Fall Out Boy, resume Michael Jackson: "Um dos elementos chave do estilo dele é o uso da voz como instrumento musical". E completa: "Diante de alguém tão grande, é comum perdermos a noção do quão vanguardista e revolucionário essa pessoa é, mas Michael Jackson definitivamente ultrapassou todas as fronteiras do R&B". Verdade, Patrick. O negro leve da foto abaixo era realmente "o cara".
Há controvérsias na listinha. Entre os homens, Steven Tyler, Morrissey e Joe Cocker também ficaram lá pra trás. O barítono elegante e inconfundível de Dave Gahan nem sequer entrou na dança. Não sei dizer se a qualidade de Chris Robinson, do Black Crowes, foi corretamente deixada de lado porque, afinal de contas, os pais espirituais do moço [nitidamente teletransportado dos anos 70], estão por ali. Segundo meu amigo Daniel Faria, faltou Michael Stipe.
Entre as mulheres, a desmerecida presença de uma Christina Aguilera acaba deixando de fora a inegável relevância de Chrissie Hynde, principalmente se o critério for a influência nas novas queridinhas, como Lilly Allen. Deixar uma Annie Lenox pro rabo da lista é descosiderar não somente um primoroso e único vocal, mas o peso geracional por trás disso. A força e a sigularidade de uma Sinéad O´Connor nem ao menos é citada. Onde estarão kd lang e Beth Gibbons? Ofuscadas pela gritaria over de Mariah Carrey?
O que eu vou deixar aqui é a minha listinha dos 10+, só pra variar. Como sempre, o critério é o desbunde, a permanência no dial, a admiração pessoal, e claro, uma consideração pela técnica [ou o total despojo da falta dela]. Vamos tratar também de reparar algumas injusticinhas, embora seja meio impossível escapar do clichê na categoria testosterona.
LITTLE GIRL´S ROOM
1) Janis Joplin
2) Nina Simone
3) Tina Turner
4) Aretha Franklin
5) Sinéad O´Connor
6) Beth Gibbons
7) Chrissie Hynde
8) Patti Smith
9) kd lang
10) Siouxsie Sioux [outra que ficou de fora]
Bonus choice: 11) Björk
LITTLE BOY´S ROOM
1) Freddie Mercury
2) Robert Plant
3) Mick Jagger
4) Marvin Gaye
5) Michael Jackson
6) Stevie Wonder
7) Jim Morrison
8) David Bowie
9) Bono
10) Jeff Buckley/Thom Yorke [serei obrigada a dividir a posição entre os dois]
Bonus choice: 11) Dave Gahan
Nacionalistas, não se preocupem: ano que vem, provavelmente, a Rolling Stone brasileira dará suas cartas na lista tupiniquim. Quando isso acontecer, a gente comenta por aqui, com uma porção de tremosos & umas cervejinhas.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Autoridade da atração
Muita gente sabe por alto, mas quase ninguém faz conta a respeito. O poeta Roberto Piva foi produtor de shows de rock durante o maior período de hiato em sua obra poética - entre as publicações de Piazzas [1964] e Abra os olhos e diga ah! [1976]. A importância dele para a difusão da cena rock n´ roll durante os anos de maior influência da MPB no país não é café pequeno. E ninguém aqui está se referindo a Mutantes ou aos grupos surgidos no ranço tropicalista; Piva aliás, faz questão de afirmar: "a gente não dava a mínima pra isso tudo".
Então aluno da Escola de Sociologia e Política e professor de Estudos Sociais em escolas da periferia de São Paulo, ele acabou lançando bandas obscuras como o Spectral Zôo - "o conjunto que mais se auto-marginaliza na cidade, conseguindo grana pro sanduíche já basta" -, Distorção Neurótica e a Glass Stone Game , primeiro grupo do baterista Duda Neves, que de Mark Davis [a.k.a. Fabio Jr] a Kiko Zambianchi, passou também pelas bandas de Zé Rodrix, Ná Ozetti, Zé Geraldo e até Arrigo Barnabé.
A mais lendária das investidas de Piva, no entanto, é a Made in Brazil [foto abaixo - em 1973], hoje com mais de 40 anos de estrada, famosa também pela "influência" visual nos Secos & Molhados, e posteriormente no Kiss. Ou você nunca ouviu dizer que as máscaras do Kiss foram "inspiradas" nas faces setentistas de Ney Matogrosso & cia? Há quem jure que a maquiagem de Paul Stanley, com sua estrelinha preta em volta de um dos olhos, é cópia descarada daquela usada pelo guitarrista da Made, Oswaldo Vecchione, já em 1969, alguns anos dos gringos aparecerem.

Famoso no mundo do rock como Zeca Jagger, o crítico Ezequiel Neves passou a integrar a Made in Brazil em 1976. Mas consagrou-se mesmo foi como produtor dos discos de Barão Vermelho e Cazuza, na década de 1980. Nos primórdios da Rolling Stone Brasil,em 1972, Neves escreveu sobre o poeta & agitador cultural. "Roberto Piva é um dos sujeitos mais explosivos que conheço. Sua capacidade de congregar jovens para a música pop destrói todas as cinzentas barreiras de concreto que asfixiam os paulistas. Antes de Piva organizar concertos, praticamente não havia nada."
E completou: "Quando cheguei de Londres, no final de 1970, encontrei todo mundo falando dos pop shows que ele organizava. Fui a vários deles. A garotada vibrava, os conjuntos eram bons [ótimos, alguns] e a atmosfera era puro Woodstock-mirim. Piva fazia sua apresentação de cada um deles e suas palavras amplificadas pelas caixas de som eram sempre aplaudidas. Piva me lembra um super-índio branco, um cacique que espera para sua tribo o nascimento dias melhores cheios de sol e música".
Sobre seu método de divulgação, o poeta falou à revista. "Eu vou de bairro em bairro e pela vibração descubro os hambúrgueres, os botecos, as sinucas onde a garotada daquele bairro se junta. Chegando a esse boteco, eu sigo o princípio de Platão, escolho o garoto mais bonito, entrego os lembretes impressos do show e digo: você tem que levar todo mundo no meu show. Aí eu consigo o que nenhum veículo de comunicação de massa vai conseguir, o toque pessoal da comunicação. Aquilo que o Fourier chamou de 'autoridade da atração´."
[continua...em páginas mais recheadas e suculentas, devidamente editadas e impressas, very soon.]
Então aluno da Escola de Sociologia e Política e professor de Estudos Sociais em escolas da periferia de São Paulo, ele acabou lançando bandas obscuras como o Spectral Zôo - "o conjunto que mais se auto-marginaliza na cidade, conseguindo grana pro sanduíche já basta" -, Distorção Neurótica e a Glass Stone Game , primeiro grupo do baterista Duda Neves, que de Mark Davis [a.k.a. Fabio Jr] a Kiko Zambianchi, passou também pelas bandas de Zé Rodrix, Ná Ozetti, Zé Geraldo e até Arrigo Barnabé.
A mais lendária das investidas de Piva, no entanto, é a Made in Brazil [foto abaixo - em 1973], hoje com mais de 40 anos de estrada, famosa também pela "influência" visual nos Secos & Molhados, e posteriormente no Kiss. Ou você nunca ouviu dizer que as máscaras do Kiss foram "inspiradas" nas faces setentistas de Ney Matogrosso & cia? Há quem jure que a maquiagem de Paul Stanley, com sua estrelinha preta em volta de um dos olhos, é cópia descarada daquela usada pelo guitarrista da Made, Oswaldo Vecchione, já em 1969, alguns anos dos gringos aparecerem.

Famoso no mundo do rock como Zeca Jagger, o crítico Ezequiel Neves passou a integrar a Made in Brazil em 1976. Mas consagrou-se mesmo foi como produtor dos discos de Barão Vermelho e Cazuza, na década de 1980. Nos primórdios da Rolling Stone Brasil,em 1972, Neves escreveu sobre o poeta & agitador cultural. "Roberto Piva é um dos sujeitos mais explosivos que conheço. Sua capacidade de congregar jovens para a música pop destrói todas as cinzentas barreiras de concreto que asfixiam os paulistas. Antes de Piva organizar concertos, praticamente não havia nada."
E completou: "Quando cheguei de Londres, no final de 1970, encontrei todo mundo falando dos pop shows que ele organizava. Fui a vários deles. A garotada vibrava, os conjuntos eram bons [ótimos, alguns] e a atmosfera era puro Woodstock-mirim. Piva fazia sua apresentação de cada um deles e suas palavras amplificadas pelas caixas de som eram sempre aplaudidas. Piva me lembra um super-índio branco, um cacique que espera para sua tribo o nascimento dias melhores cheios de sol e música".
Sobre seu método de divulgação, o poeta falou à revista. "Eu vou de bairro em bairro e pela vibração descubro os hambúrgueres, os botecos, as sinucas onde a garotada daquele bairro se junta. Chegando a esse boteco, eu sigo o princípio de Platão, escolho o garoto mais bonito, entrego os lembretes impressos do show e digo: você tem que levar todo mundo no meu show. Aí eu consigo o que nenhum veículo de comunicação de massa vai conseguir, o toque pessoal da comunicação. Aquilo que o Fourier chamou de 'autoridade da atração´."
[continua...em páginas mais recheadas e suculentas, devidamente editadas e impressas, very soon.]
Marcadores:
autoridade da atração,
duda neves,
ezequiel neves,
made in brazil,
roberto piva,
rolling stone,
spectral zoo
Assinar:
Postagens (Atom)
