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domingo, 13 de março de 2011

Visions of Jagger: as time goes by

Terry O'Neal,1974
Jean Marie Périer
Annie Leibovitz,1980
Bryan Adams,2008
Gered Mankovitz,1966
Robert Whitaker
Norman Seeff

No primeiro plano, foto de Simone Cechetti na exposição "Mick Jagger - The Photobook", em Milão.

Com estas fotos, presto meu tributo aos pseudo-críticos-inteligentes que ainda não entenderam nem os gregos, nem Carl Jung, nem Andy Warhol e seguem rebaixando qualquer mitologia pessoal ao patamar mais pejorativo do "culto à celebridade". Dedico-as também à memória de Elvis Presley, que curtia meter bala na televisão toda vez que Mick Jagger aparecia.

Eu explico: é que acabo de saber que a editora espanhola La Fabrica resolveu compilar 76 retratos de Mick Jagger no livro "Mick Jagger - The Photobook". As imagens foram feitas ao longo dos quase 50 anos de carreira do incrível & arquetípico rolling stone em momentos de lazer, bastidores de gravações, backstage de shows e nos estúdios de programas de TV e de revistas como a Vanity Fair, entre outras ocasiões. Os fotógrafos? Annie Leibovitz, Cecil Beaton, Anton Corbjin, Jim Marshall, Andy Warhol, Peter Lindbergh e o cantor Bryan Adams, além de outros 29 nomes que, segundo o curador François Hebel, "não conseguiram resistir ao charme de Jagger".

O livro é derivado da exposição homônima, sucesso de público em diversas capitais europeias, atualmente em Roma. Vem a público meses após o estouro da biografia Life -- do indestrutível Keith Richards --, chegar para divertir a nossa patota de roqueiros que adorariam ser Mick Jagger, tocar como Keith Richards ou ir para a cama com o primeiro [convenhamos]. Uma das polêmicas da biografia de Keith, ao que me consta, diz respeito aos detalhes "centimétricos" da Diva Jagger. Não pude ainda tirar essa dúvida com Luciana Gimenez, mas uma pulguinha gorda atrás da minha orelha direita insiste em dizer que o verdadeiro pipi pequeno é de quem desdenha do pipi do outro. Ouviu, Keith?

[Com informações da EFE e Vogue Itália]

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Rainha pagã de Hollywood*


"(...)Elizabeth Taylor é, em minha opinião, a maior atriz da história do cinema. Ela entende intuitivamente a câmera e suas intimidades não verbais. Abrindo os olhos violeta, conduz-nos ao reino líquido da emoção, que habita por intuição pisciana. Richard Burton disse que ela o ensinou a atuar para a câmera. Economia e contenção são essenciais. Em sua melhor forma, Elizabeth Taylor simplesmente é. Uma carga elétrica, erótica, faz vibrar o espaço entre o rosto dela e a lente. É um fenômeno extra-sensório, pagão.

Meryl Streep, à maneira protestante, entusiasma-se com as palavras; exibe sotaques inteligentes como uma máscara para suas deficiências mais profundas. (E não sabe dizer uma fala judia; destruiu o cáustico diálogo de Nora Ephron em A difícil arte de amar.) O trabalho de Meryl não vai longe. Tentem dublá-la para cinemas indianos: não restará nada, só aquele rosto ossudo, cavalar, movendo os lábios. Imaginem, por outro lado, atrizes menos técnicas como Heddy Lamarr, Rita Hayworth, Lana Turner: essas mulheres têm um apelo internacional e universal. Seriam belas no Egito, Grécia, e Roma antigos, na Borgonha medieval ou na Paris do século XIX. Susan Haywad fez Betsabé. Tentem imaginar Meryl Streep num épico bíblico! Ela é incapaz de fazer os grandes papéis legendários ou mitológicos. Não tem poder elemental, não tem aquela sensualidade tórrida.(...)

Elizabeth Taylor é uma criação o show business, dentro do qual ela tem vivido desde que começou como atriz infantil. Ela tem a hiper-realidade de uma visão de sonho. Meryl Streep, com seu chato decoro, é bem-vinda à sua pose de atriz esforçada e despretensiosa. Eu prefiro a velha Hollywood lixo, cafona, a qualquer hora. Elizabeth Taylor, entusiasticamente comendo, bebendo, no cio, rindo, xingando, trocando de maridos e comprando diamantes aos montes, é uma personalidade em escala grandiosa. É uma monarca numa época de tristes liberais. Como estrela, ela não tem, ao contrário de Greta Garbo, Marlene Dietrich e Katharine Hepburn, qualquer ambiguidade sexual em sua persona. Terrena e sensual, apaixonada e voluntariosa, mas terna e empática. Elizabeth Taylor é a mulher em suas muitas fases lunares, admirada por todo o mundo".

Trecho de Rainha Pagã de Hollywood, texto de Camille Paglia, publicado na Revista Penthouse em 1992, parte da coletânea Sexo, Arte e Cultura Americana (Companhia das Letras).

Imagens: Elizabeth Taylor, por fotógrafo não identificado e Andy Warhol. Mas esse post todo só vai fazer sentido se você clicar aqui e assistir ao curta Puce Moment, de Kenneth Anger, cuja incorporação foi proibida.