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domingo, 30 de março de 2008
Praga bendita
Oh, psicólogos gurus - cardeais arcebispos do cientificismo precário, atrasado & preconceituoso, nobres catalogadores de humanos como ervilhas de Mendel[existem ainda os sádicos Mengelóides]: que Jodorowsky cuide de seus sonhos & pesadelos, e que os súcubos corroam suas genitálias! Um dia vocês vão me agradecer por essa praga.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
São Luiz da Dona Candinha
Poucos dias para o carnaval. Poucos dias também para terminar o carnaval, graças a Deus. Poucos dias úteis para que o Brasil finalmente abrace o ano de 2008 - de ressaca, é claro.
A simulação abaixo visa retratar brevemente a originalidade na escolha do destino do paulistano descolado, do mundinho da comunicação, para o carnaval. Gente que nasceu com samba no pé! [Orwell, are you listening to me?]
E viva o estereótipo carnavalesco!
Grupo 1 - alunos de Jornalismo e Rádio & TV da Faculdade Cásper Líbero) Vamo aê alugar uma casa em São Luis do Paraitinga! Muito bom, carnaval de marchinha, todo mundo na rua, tudo colorido, bebida barata... uma coisa de raiz, sabe? Ano passado o Decão e o Pedrão levaram um ácido, melhor viagem, cara! Bem melhor que o JUCA! "ÔÔÔÔÔÔ Barbosa..."
Grupo 2 - ex-alunos de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero) A gente alugou uma casa fudida numa fazenda, já tem 4 geladeiras de cerveja! Fica perto de São Luiz do Paraitinga, o melhor carnaval do país! Meu, cê tinha que ver ano passado... foi foda! A gente inventou a brincadeira do apito paralisador - a cidade inteira entrou. Tem o vídeo no Youtube, te mostro. Mas o resto só conto mediante cerveja.

Grupo 3 - alunos de Publicidade da Faculdade Cásper Líbero) Vai ser muito louco! Eu, o Zelão, o Marcão, o Pedrão, a Má, a Fá, a Ju, os caras da Atlética, o Daniel e a mina dele vamo pra São Luiz do Paraitinga. Mó vacilona você! Nem tem rave, é esquema marchinha. "Ôôô, Barbosa!" Já tá tudo lotado, meu...
Grupo 4 - alunos de Relações Públicas da Faculdade Cásper Líbero) Dizem que é mó alternativo esse carnaval de São Luiz do Paraitinga. Vamos? A gente precisa fazer umas coisas diferentes de vez em quando... ano passado eu desfilei na Unidos do Bem na Fita, muito emocionante! Tomara que essa cidade seja assim...
Grupo 5 - professores da Faculdade Cásper Líbero) Eu vou pra São Luiz do Paraitinga com minha mulher e meus filhos pequenos. As crianças precisam ter contato com a cultura brasileira, longe dessa banalização da nudez e da corrosão do samba de raiz. Preciso relaxar, começo meu Pós- Doutorado agora em março. Mas vou te contar que lá em São Luiz, ano passado, eu encontrei o João Vicente, que dava aula aqui. Tava com uma menininha bem mais nova... acho que é ex-aluna. Você sabe de alguma coisa, Paulo?
Grupo 6 - alunos dos cursos de comunicação Universidades Mackenzie, Metodista e FIAM) Vamo fazê pré-JUCA em São Luiz do Paraitingaaaaaaaaaaaa! Vamo pegá várias mina, aeeeeeeeeewwwwww! "Hey, Cásper, vai tomá no cu!"
Grupo 7 - alunos dos cursos de comunicação da PUC e USP) Vai ter um sarau de poesia em celebração à brasilidade nesse carnaval, cara. É em São Luiz do Paraitinga, um carnaval mais humano, sabe? A gente tem que se livrar dessas imposições culturais da Globo em prol do imperialismo americano.
Grupo 8 - alunas de comunicação da FAAP e da Faculdade de Belas Artes) Menina, tem uma luiz ótima lá. Onde? São Luiz do Paraitinga, ora! Fotografei um ensaio bárbaro ano passado com aqueles blocos e marchinhas de rua. É carnaval, né... o povo adora aparecer.
Grupo 9 - alunas de comunicação da FAAP) Ai, meu namorado é da Cásper, esqueceu? Vou viajar com ele pra São Luiz do Paraitinga, mas tô meio assim por causa dos amigos...eles causam muito, meu! E eles são mega-chatos, barrigudos, peludos e barbudos. E tem uma mulherada pés-si-ma! Aquelas gordas bicho-grilo, que parece que não tomam banho... Não tem nem um lounge pra a gente ficar. E você Carol, vai pra Caraíva?
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
É essa a sua revolução?
"Em Havana, nos últimos meses, começou a aparecer um estranho e asqueroso fenômeno, entre grupos de jovens e gente não tão jovem assim. Eles começaram a exibir, em atos vergonhosos, uma vida cheia de modos extravagantes, encontrando-se uns com os outros na área de La Rampa, sentido oposto ao the Capri Hotel".
Fidel Castro, em discurso nos anos 60.
"Reinaldo, muitas vezes, aqui em Cuba, teve a intenção de suicidar- se. Levou sua vida com rebeldia o mais longe que conseguiu, mas no fim se suicidou [durante o estágio terminal de Aids]. De alguma forma, sua vida inteira foi um grande e maravilhoso ato de suicídio".
Ingrid González, atriz cubana, sobre o escritor Reinaldo Arenas, perseguido, preso e torturado pelo regime de Fidel Castro entre os anos 60 e 80.
"Meu nome agora, nesse momento é Reinaldo Arenas. Sou um escritor cubano, exilado em Nova Iorque. Me dedico a viver e a sobreviver. Sou um chamado "dissidente", em todos os sentidos, porque não tenho religião, sou homossexual, e ao mesmo tempo sou anti-Castrista. Ou seja, reúno todas as características para jamais ver um livro meu publicado, e para viver às margens de qualquer sociedade, em qualquer lugar do mundo".
Reinaldo Arenas, 1989. Poeta e romancista perseguido, expulso de Cuba e condenado ao exílio em 1980, foi preso e mantido condições desumanas, além de trabalhar como escravo em campos agrícolas, sem acesso ao fantástico-democrático-eficientíssimo sistema de saúde público cubano. Teve a sua autobiografia "Antes que anoiteça" adaptada para o cinema em 2001, com o espanhol Javier Barden no papel principal. Direção de Julian Schnabel. A tradução do título foi feita erroneamente no Brasil como "Antes do Anoitecer".
Voluntad de vivir manifestandose"
Ahora me comen.
Ahora siento cómo suben y me tiran de las uñas.
Oigo su roer llegarme hasta los testículos.
Tierra, me echan tierra.
Bailan, bailan sobre este montón de tierra
y piedra
que me cubre.
Me aplastan y vituperan
repitiendo no sé qué aberrante resolución que me atañe.
Me han sepultado.
Han danzado sobre mí.
Han apisonado bien el suelo.
Se han ido, se han ido dejándome bien muerto y enterrado.
Este es mi momento.
Reinaldo Arenas
(Prisión del morro. La Habana, 1975)
* aspas retiradas do documentário "Seres Extravagantes", de Manuel Zayas.
Fidel Castro, em discurso nos anos 60.
"Reinaldo, muitas vezes, aqui em Cuba, teve a intenção de suicidar- se. Levou sua vida com rebeldia o mais longe que conseguiu, mas no fim se suicidou [durante o estágio terminal de Aids]. De alguma forma, sua vida inteira foi um grande e maravilhoso ato de suicídio".
Ingrid González, atriz cubana, sobre o escritor Reinaldo Arenas, perseguido, preso e torturado pelo regime de Fidel Castro entre os anos 60 e 80.
"Meu nome agora, nesse momento é Reinaldo Arenas. Sou um escritor cubano, exilado em Nova Iorque. Me dedico a viver e a sobreviver. Sou um chamado "dissidente", em todos os sentidos, porque não tenho religião, sou homossexual, e ao mesmo tempo sou anti-Castrista. Ou seja, reúno todas as características para jamais ver um livro meu publicado, e para viver às margens de qualquer sociedade, em qualquer lugar do mundo".
Reinaldo Arenas, 1989. Poeta e romancista perseguido, expulso de Cuba e condenado ao exílio em 1980, foi preso e mantido condições desumanas, além de trabalhar como escravo em campos agrícolas, sem acesso ao fantástico-democrático-eficientíssimo sistema de saúde público cubano. Teve a sua autobiografia "Antes que anoiteça" adaptada para o cinema em 2001, com o espanhol Javier Barden no papel principal. Direção de Julian Schnabel. A tradução do título foi feita erroneamente no Brasil como "Antes do Anoitecer".
Voluntad de vivir manifestandose"Ahora me comen.
Ahora siento cómo suben y me tiran de las uñas.
Oigo su roer llegarme hasta los testículos.
Tierra, me echan tierra.
Bailan, bailan sobre este montón de tierra
y piedra
que me cubre.
Me aplastan y vituperan
repitiendo no sé qué aberrante resolución que me atañe.
Me han sepultado.
Han danzado sobre mí.
Han apisonado bien el suelo.
Se han ido, se han ido dejándome bien muerto y enterrado.
Este es mi momento.
Reinaldo Arenas
(Prisión del morro. La Habana, 1975)
* aspas retiradas do documentário "Seres Extravagantes", de Manuel Zayas.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Rá-tá-tá-tá
Não chega a ser incrível, mas os chamados "formadores de opinião" convidados a entrevistar Mano Brown no Roda Viva, não parecem diferir em nada dos "racionais" pseudo-manos das classes média e alta. Sabe aqueles branquelos bombados, de touca, com o rap trincando em último volume dentro das super pick-ups importadas, presente do papis? Pois a rasgação de seda é a mesma. Pura pose.
Sugiro que da próxima vez, a celebrada nata da intelectualidade paulista, mensuradora de genialidades, tope o desafio antropológico (sic) de analisar a realidade brasileira fora do espectro do chopp-com-colarinho made in Vila Madalena. Meia hora num ponto de ônibus do Largo da Batata já pode ser um bom começo.
Mano Brown, 2º grau incompleto, nunca me pareceu preguiçoso ao raciocinar. Mas decepcionou bastante ao demonstrar o que pensa. E quanto aos bacharéis...bateu medinho reacionário de apanhar dos manos, na hora da saída? Ou foi todo mundo junto fazer um glamuroso city tour pelo Capão Redondo, na doce madruga paulistana?
Sugiro que da próxima vez, a celebrada nata da intelectualidade paulista, mensuradora de genialidades, tope o desafio antropológico (sic) de analisar a realidade brasileira fora do espectro do chopp-com-colarinho made in Vila Madalena. Meia hora num ponto de ônibus do Largo da Batata já pode ser um bom começo.
Mano Brown, 2º grau incompleto, nunca me pareceu preguiçoso ao raciocinar. Mas decepcionou bastante ao demonstrar o que pensa. E quanto aos bacharéis...bateu medinho reacionário de apanhar dos manos, na hora da saída? Ou foi todo mundo junto fazer um glamuroso city tour pelo Capão Redondo, na doce madruga paulistana?
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Terrorismo ideológico em português (sic)
Ontem, por telefone, um certo estadunidense bushista me contou suas impressões sobre o caso da pequena Madeleine, a criança inglesa desaparecida em Portugal há quatro meses. A argumentação segue abaixo.
"Você tem que entender, Renata. Há questões políticas envolvidas neste caso. Os portugueses querem se vingar dos ingleses há séculos, porque ficaram pra trás na História; esta é a única chance deles para provar a supremacia do país. Uma mãe jamais faria nada de mal contra a própria filha, mas os portugueses querem forçar o mundo a pensar que as mães inglesas são demoníacas e dissimuladas, tentando forjar essa versão de que os pais teriam matado a menina. Tudo isso porque a Inglaterra nos apoiou na Guerra do Iraque, e pela bronca com os ingleses! Você tem que entender que não se pode confiar nos portugueses nessa história. Além do mais, você viu aqueles tiras na televisão? Eles são horríveis, mal encarados, parecem porcos mexicanos!"
"Você tem que entender, Renata. Há questões políticas envolvidas neste caso. Os portugueses querem se vingar dos ingleses há séculos, porque ficaram pra trás na História; esta é a única chance deles para provar a supremacia do país. Uma mãe jamais faria nada de mal contra a própria filha, mas os portugueses querem forçar o mundo a pensar que as mães inglesas são demoníacas e dissimuladas, tentando forjar essa versão de que os pais teriam matado a menina. Tudo isso porque a Inglaterra nos apoiou na Guerra do Iraque, e pela bronca com os ingleses! Você tem que entender que não se pode confiar nos portugueses nessa história. Além do mais, você viu aqueles tiras na televisão? Eles são horríveis, mal encarados, parecem porcos mexicanos!"
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Good Old Gonzo
Gafe do dia: "George W. Bush confunde australianos com austríacos, em Sidney"
SUÍNO DA SEMANA
Escolher o Suíno da Semana é sempre difícil, mas hoje é óbvio que vai para a zebra da vez, o derrotado Vice-Presidente Al Gore Jr. & toda sua derrotada família, proveniente do Tenessee e Wahsington DC, agora prestes a figurar entre a turminha dos sem-teto ou do endereço desconhecido. Gore será lembrado como o azarado, o bobão que entregou a Casa Branca a uma gangue de fedorentos senhores do petróleo do Texas, que não prometeram nada à nação além de um evidente colapso do mercado & graves punições para qualquer babaca degenerado que fizer sexo oral em território americano. Al Gore perdeu as eleições, desafiando assim todas as possibilidades e previsões de todos os setores da sociedade, após despontar para Presidente como o co-arquiteto dos tempos mais prósperos da História.
As chances reais desse acontecimento eram matematicamente iguais às chances de uma eleição presidencial terminar em empate, ou ainda, ao fato de um presidente líder do chamado "mundo livre" ser deposto do cargo pelo simples fato de ter curtido a boca de uma mulher... Jesus, e nós ainda conseguimos nos enfurecer contra o Taliban pelo fato das mulheres usarem véus!
A Sodomia ainda é crime na Virginia, um estado repleto de subúrbios abastados e arborizados, às margens do Rio Potomac de Washington. Foi lá que prenderam Marv Albert, acusado de não controlar a potência de seu suco-do-amor. As autoridades alegaram que a paixão dele tinha sido "pura demais", e o coitado foi afastado da NBA por um tempo... A Georgia é um outro estado onde você ainda pode ir pra cadeia por Sodomia, mesmo se cometer esse "delito" na privacidade da sua própria cama.
By HUNTER S. THOMPSON (1937 - 2005), 4 de dezembro de 2000.
Trecho da crônica que integra a coletânea de textos "Hey Rube", ainda não editada no Brasil.
Tradução: Renata D´Elia
SUÍNO DA SEMANA
Escolher o Suíno da Semana é sempre difícil, mas hoje é óbvio que vai para a zebra da vez, o derrotado Vice-Presidente Al Gore Jr. & toda sua derrotada família, proveniente do Tenessee e Wahsington DC, agora prestes a figurar entre a turminha dos sem-teto ou do endereço desconhecido. Gore será lembrado como o azarado, o bobão que entregou a Casa Branca a uma gangue de fedorentos senhores do petróleo do Texas, que não prometeram nada à nação além de um evidente colapso do mercado & graves punições para qualquer babaca degenerado que fizer sexo oral em território americano. Al Gore perdeu as eleições, desafiando assim todas as possibilidades e previsões de todos os setores da sociedade, após despontar para Presidente como o co-arquiteto dos tempos mais prósperos da História.
As chances reais desse acontecimento eram matematicamente iguais às chances de uma eleição presidencial terminar em empate, ou ainda, ao fato de um presidente líder do chamado "mundo livre" ser deposto do cargo pelo simples fato de ter curtido a boca de uma mulher... Jesus, e nós ainda conseguimos nos enfurecer contra o Taliban pelo fato das mulheres usarem véus!
A Sodomia ainda é crime na Virginia, um estado repleto de subúrbios abastados e arborizados, às margens do Rio Potomac de Washington. Foi lá que prenderam Marv Albert, acusado de não controlar a potência de seu suco-do-amor. As autoridades alegaram que a paixão dele tinha sido "pura demais", e o coitado foi afastado da NBA por um tempo... A Georgia é um outro estado onde você ainda pode ir pra cadeia por Sodomia, mesmo se cometer esse "delito" na privacidade da sua própria cama.
By HUNTER S. THOMPSON (1937 - 2005), 4 de dezembro de 2000.
Trecho da crônica que integra a coletânea de textos "Hey Rube", ainda não editada no Brasil.
Tradução: Renata D´Elia
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Se a vida fosse uma final de vôlei feminino...
Sempre a mesma coisa com as duas maiores seleções das Américas.
As cubanas agem, provocam e berram feito menininhas encrenqueiras de colegial, daquelas que arrumam briga na saída da escola. Em grupo, tocam o terror mas sozinhas não se garantem. Como quase todas as mulheres do mundo, costumam abusar do emocional e apostar as fichas na irritação alheia. A medalha de ouro e os bicoitinhos de "parabéns" do Fidel são consequência: as jogadoras são ofensivas, voam e cacetam bolas em alta velocidade, e sabem como poucas desestabilizar as boas moças do outro lado da rede. Vilãs de respeito.
As meninas do Brasil são simpáticas, carismáticas, talentosas, esforçadas, raçudas e bonitinhas. Filhas perfeitas. Vencedoras de pódio, mas freguesas das finais. Isso porque, como quase todas as mulheres do mundo, se fragilizam e perdem a concentração em situações práticas. Graças ao bom Deus elas não agem como menininhas de colegial, são mais maduras e formam conjunto técnico superior. Mas na hora H, o maior adversário é o próprio medo. Cá entre nós, bastava confiar em si e enfrentar com mais coragem as muitas fragilidades alheias. Na maioria das vezes, quem começa a provocação não se garante em competência. Não custava nada checar.
Mas nem sempre as competições são assim.
Incompetência a gente vê todo dia. Preguiça e falta de treino também. A eterna mania feminina de jogar (e trapacear) pelo emocional às vezes funciona - principalmente com juíz vendido. Incrível aliás, como o número de cobras é infinitamente superior entre as medíocres. Mas elas não colhem os louros, pois não plantaram nada. Não entram pra História nem viram mitos. Acabam disputando o sexo do auxiliar técnico com a impostora ao lado. E seguem nessa auto-afirmação barata na segunda divisão.
O baixo-clero é gordo. Poucas provocadoras são grandes como Mireya Luis.
* o texto acima se pretende didático em 1º grau, e portanto não considera questões complexas como a esquizofrenia de caráter.
** este blog é vacinado contra teorias feministas clichezentas e prosaicas.
As cubanas agem, provocam e berram feito menininhas encrenqueiras de colegial, daquelas que arrumam briga na saída da escola. Em grupo, tocam o terror mas sozinhas não se garantem. Como quase todas as mulheres do mundo, costumam abusar do emocional e apostar as fichas na irritação alheia. A medalha de ouro e os bicoitinhos de "parabéns" do Fidel são consequência: as jogadoras são ofensivas, voam e cacetam bolas em alta velocidade, e sabem como poucas desestabilizar as boas moças do outro lado da rede. Vilãs de respeito.
As meninas do Brasil são simpáticas, carismáticas, talentosas, esforçadas, raçudas e bonitinhas. Filhas perfeitas. Vencedoras de pódio, mas freguesas das finais. Isso porque, como quase todas as mulheres do mundo, se fragilizam e perdem a concentração em situações práticas. Graças ao bom Deus elas não agem como menininhas de colegial, são mais maduras e formam conjunto técnico superior. Mas na hora H, o maior adversário é o próprio medo. Cá entre nós, bastava confiar em si e enfrentar com mais coragem as muitas fragilidades alheias. Na maioria das vezes, quem começa a provocação não se garante em competência. Não custava nada checar.
Mas nem sempre as competições são assim.
Incompetência a gente vê todo dia. Preguiça e falta de treino também. A eterna mania feminina de jogar (e trapacear) pelo emocional às vezes funciona - principalmente com juíz vendido. Incrível aliás, como o número de cobras é infinitamente superior entre as medíocres. Mas elas não colhem os louros, pois não plantaram nada. Não entram pra História nem viram mitos. Acabam disputando o sexo do auxiliar técnico com a impostora ao lado. E seguem nessa auto-afirmação barata na segunda divisão.
O baixo-clero é gordo. Poucas provocadoras são grandes como Mireya Luis.
* o texto acima se pretende didático em 1º grau, e portanto não considera questões complexas como a esquizofrenia de caráter.
** este blog é vacinado contra teorias feministas clichezentas e prosaicas.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Pequenas doses de século 21
Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza...
Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab agora deu de apagar os grafites que embelezavam a cidade, considerada uma das capitais mundias da arte urbana. A justificativa dos líderes do partido - que atende pela nova alcunha de "Democratas", é simples e óbvia: o cumprimento do projeto de despoluição visual da cidade. Até porque aquelas faixas asquerosas e o excesso de outdoors de outrora são iguaizinhos aos desenhos de osgemeos ou Vitché, não? A ignorância é tamanha que desconsidera os parâmetros básicos que diferem a pichação do grafite. E olha que o debate sobre a pichação é vasto. Mas a arte, nós sabemos, tem papel secundário na sociedade brasileira(sic).
Não encaixa
Alunos do curso superior de Jornalismo de uma das mais renomadas faculdades do país estão sentados, enfileirados frente aos computadores de um laboratório, terminando suas avaliações bimestrais. Mais um daqueles trabalhos em grupo, proposta super moderna, interdisciplinar e multimídia. Coisa do futuro. Dois jovens da mesma idade, um gay e uma hétero, coincidentemente católica entusiasta, discutem rapidamente sobre homossexualismo. Em minutos, a conversa chega ao ápice:
ELA - Duas mulheres juntas não dá, não encaixa. Não é preconceito, é uma questão lógica e científica! Ninguém estudou anatomia aqui? O corpo não foi feito pra aquilo.
Após a minha intromissão e o acaloramento da discussão, chego a várias conclusões, mas pegando o gancho, vai uma bem triste: 100 anos depois, os estudos que Freud iniciou sobre o desejo continuam reduzidos a uma "sub ou pseudo-ciência" por muita gente. E para estes "o sexo que eu faço é mais bonito e legítimo que os dos outros". (Se é que esse povo faz sexo, course).
Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab agora deu de apagar os grafites que embelezavam a cidade, considerada uma das capitais mundias da arte urbana. A justificativa dos líderes do partido - que atende pela nova alcunha de "Democratas", é simples e óbvia: o cumprimento do projeto de despoluição visual da cidade. Até porque aquelas faixas asquerosas e o excesso de outdoors de outrora são iguaizinhos aos desenhos de osgemeos ou Vitché, não? A ignorância é tamanha que desconsidera os parâmetros básicos que diferem a pichação do grafite. E olha que o debate sobre a pichação é vasto. Mas a arte, nós sabemos, tem papel secundário na sociedade brasileira(sic).
Não encaixa
Alunos do curso superior de Jornalismo de uma das mais renomadas faculdades do país estão sentados, enfileirados frente aos computadores de um laboratório, terminando suas avaliações bimestrais. Mais um daqueles trabalhos em grupo, proposta super moderna, interdisciplinar e multimídia. Coisa do futuro. Dois jovens da mesma idade, um gay e uma hétero, coincidentemente católica entusiasta, discutem rapidamente sobre homossexualismo. Em minutos, a conversa chega ao ápice:
ELA - Duas mulheres juntas não dá, não encaixa. Não é preconceito, é uma questão lógica e científica! Ninguém estudou anatomia aqui? O corpo não foi feito pra aquilo.
Após a minha intromissão e o acaloramento da discussão, chego a várias conclusões, mas pegando o gancho, vai uma bem triste: 100 anos depois, os estudos que Freud iniciou sobre o desejo continuam reduzidos a uma "sub ou pseudo-ciência" por muita gente. E para estes "o sexo que eu faço é mais bonito e legítimo que os dos outros". (Se é que esse povo faz sexo, course).
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Pérolas da semana
Pérolas do pensamento pós-moderno...
"Bando de remelentos! Deviam era levantar uns muros, fazer umas cerquinhas, e deixá-los lá, se reproduzindo. Daqui a pouco tempo, visitaríamos o Zoo-USP, o novo Simba Safari da cidade - jogaríamos miolinho de pão para os macaquinhos da FFFLCH, pela grade" - Sir Lofrets, filósofo espano-irlandês, no Sujinho.
"Parada Inglesa? Isso por acaso é metrô? Que metrô o quê, vai pra onde? Minha cara,não adianta justificar: isso é proselitismo de sua parte para com a zona norte" - Caio Cipro, Mestre em Oceanografia, no carro, às 4 da manhã.
"Ei, Renata, tenho uma idéia. Você torce pro São Paulo? Então, porque seria um puta furo pra você... cobrir a invasão gremista na Vila Belmiro! Nossa, isso com certeza você nunca viu, a torcida gaúcha é espetacular!" - I., de Porto Alegre, pelo MSN
DIÁLOGOS ARISTOTÉLICOS:
- A Ivete Sangalo é a Madonna dos pobres, você tem que entender.
- É tem razão. Pelo menos é melhor que Daniela Mercury.
- Ah, peraí: até minha avó morta é melhor que Daniela Mercury! - conclusão de Evelyn Vavassori, ao telefone.
- Dei um puta fora com o cara da locadora.
- Ah, é? Que cê fez?
- Ele é daqueles que precisam, sabe? Aí ele me disse que não ia viajar no feriado, porque tinha um compromisso na Paulista. Daí lancei: "Ai, você também vai na Parada Gay?!", super in...
- E aí?
- Ele respondeu: "Parada Gay não, credo. Vou na Marcha Prá Jesus!" -Evelyn Vavassori, na mesma conversa telefônica
"Bando de remelentos! Deviam era levantar uns muros, fazer umas cerquinhas, e deixá-los lá, se reproduzindo. Daqui a pouco tempo, visitaríamos o Zoo-USP, o novo Simba Safari da cidade - jogaríamos miolinho de pão para os macaquinhos da FFFLCH, pela grade" - Sir Lofrets, filósofo espano-irlandês, no Sujinho.
"Parada Inglesa? Isso por acaso é metrô? Que metrô o quê, vai pra onde? Minha cara,não adianta justificar: isso é proselitismo de sua parte para com a zona norte" - Caio Cipro, Mestre em Oceanografia, no carro, às 4 da manhã.
"Ei, Renata, tenho uma idéia. Você torce pro São Paulo? Então, porque seria um puta furo pra você... cobrir a invasão gremista na Vila Belmiro! Nossa, isso com certeza você nunca viu, a torcida gaúcha é espetacular!" - I., de Porto Alegre, pelo MSN
DIÁLOGOS ARISTOTÉLICOS:
- A Ivete Sangalo é a Madonna dos pobres, você tem que entender.
- É tem razão. Pelo menos é melhor que Daniela Mercury.
- Ah, peraí: até minha avó morta é melhor que Daniela Mercury! - conclusão de Evelyn Vavassori, ao telefone.
- Dei um puta fora com o cara da locadora.
- Ah, é? Que cê fez?
- Ele é daqueles que precisam, sabe? Aí ele me disse que não ia viajar no feriado, porque tinha um compromisso na Paulista. Daí lancei: "Ai, você também vai na Parada Gay?!", super in...
- E aí?
- Ele respondeu: "Parada Gay não, credo. Vou na Marcha Prá Jesus!" -Evelyn Vavassori, na mesma conversa telefônica
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
Frases e diálogos da semana
Adoro mulheres livres como um táxi - Reinaldão, por e-mail, pra mim.
Estou sozinho feito um cachorro boliviano nesse boteco - Reinaldão, por telefone, dias depois, para uma amiga minha.
Com sinusite? Virose? Só falta o Maluf bater na porta dela! - Reinaldão, na mesma conversa telefonica com a mesma amiga minha.
Seu tio gastou uma nota. Vai ser naquele bifê ali do lado do MacDonaldi. Na Luis Stamatis. Não, na Guilherme Dumont Villares. Guilherme não, não, Luiz! Luiz! Anotou? - Pai, por telefone
Vou ser tia mais uma vez!, diz Júlia
Tua irmã tá grávida de novo?, indaga Renata
Não.
Como não?
Não essa irmã, outra - explica Júlia
Pô, mas ela é mais nova que eu!, exclama Renata
E você ainda se acha solteira por opção?, cutuca Júlia
Ah, só eu né?, diz Renata, com uma faca de bolo Pullman na mão
Estou sozinho feito um cachorro boliviano nesse boteco - Reinaldão, por telefone, dias depois, para uma amiga minha.
Com sinusite? Virose? Só falta o Maluf bater na porta dela! - Reinaldão, na mesma conversa telefonica com a mesma amiga minha.
Seu tio gastou uma nota. Vai ser naquele bifê ali do lado do MacDonaldi. Na Luis Stamatis. Não, na Guilherme Dumont Villares. Guilherme não, não, Luiz! Luiz! Anotou? - Pai, por telefone
Vou ser tia mais uma vez!, diz Júlia
Tua irmã tá grávida de novo?, indaga Renata
Não.
Como não?
Não essa irmã, outra - explica Júlia
Pô, mas ela é mais nova que eu!, exclama Renata
E você ainda se acha solteira por opção?, cutuca Júlia
Ah, só eu né?, diz Renata, com uma faca de bolo Pullman na mão
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Guarda um cravo pra mim
25 de abril era aniversário da minha avó. Lisboeta ela, com sotaque e tudo.
25 de abril é também a data da queda da Ditadura Salazarista, com a Revolução dos Cravos. Por isso o nome da ponte que eu exerguei da pista de pouso do aeroporto, em Lisboa. No fim de 2002 fazia frio e na ocidental praia lusitana batia um vento que nunca mais senti.
Em Vila Nova de Famalicão, terra de Camilo Castelo Branco, os portugueses sentavam-se às mesas dos cafés, tomavam uma xícara apenas, e por lá paravam o tempo ou encerravam os dias. Mantinham os olhos opacos mirados num ponto fixo inexistente, quiçá imaginário. Rodavam colherinhas nas borras. E faziam as contas em "contos de Escudos" para pagar em Euros.
Em maioria não eram vaidosos, viviam meio descabelados e distraídos. Olhavam feio para os ucranianos, que sentiam vergonha de existir. Faziam pedidos que eu não entendia, mas fingia que anotava. Quer dizer, as velhinhas eram diferentes. Nem sei que raios elas pediam, mas eu nem precisava entender era sempre café. Os patricios se espantavam quando eu servia as minhas desajeitadas tostas mistas. Por sorte, ninguém nunca reclamou com o meu tio, dono do café.
Entre eles, costumavam falar muito rápido uma língua que eu não entendia. Mas as crianças eram quietas, desde sempre melancólicas. Os ciganinhos é que agitavam as portas das escolas. Depois do almoço, eles jogavam games eletrônicos nas lan-houses enquanto imaginavam lutas reais em dialeto andaluz. Soltavam uns xinguinhos que eu adorava, e colocava no meu caderninho mental de expressões adoráveis em línguas desconhecidas.
Meus ouvidos doeram de frio na Foz do Douro. Corri e brinquei numa madrugada alcoólica pelos jardins do Bom Jesus de Braga. Me perdi pelo século XV no Castelo de Guimarães. Passei um ano novo bebendo champanhe sentada no teto solar de um carro parado na estrada (farofa à lusitana)e entrei de roupa e tudo no mar gelado de madrugada, em Póvoa de Varzim. Olhei as cidades e as luzes de mãos dadas com quem eu queria.
Eu não trouxe um cravo sequer.
25 de abril é também a data da queda da Ditadura Salazarista, com a Revolução dos Cravos. Por isso o nome da ponte que eu exerguei da pista de pouso do aeroporto, em Lisboa. No fim de 2002 fazia frio e na ocidental praia lusitana batia um vento que nunca mais senti.
Em Vila Nova de Famalicão, terra de Camilo Castelo Branco, os portugueses sentavam-se às mesas dos cafés, tomavam uma xícara apenas, e por lá paravam o tempo ou encerravam os dias. Mantinham os olhos opacos mirados num ponto fixo inexistente, quiçá imaginário. Rodavam colherinhas nas borras. E faziam as contas em "contos de Escudos" para pagar em Euros.
Em maioria não eram vaidosos, viviam meio descabelados e distraídos. Olhavam feio para os ucranianos, que sentiam vergonha de existir. Faziam pedidos que eu não entendia, mas fingia que anotava. Quer dizer, as velhinhas eram diferentes. Nem sei que raios elas pediam, mas eu nem precisava entender era sempre café. Os patricios se espantavam quando eu servia as minhas desajeitadas tostas mistas. Por sorte, ninguém nunca reclamou com o meu tio, dono do café.
Entre eles, costumavam falar muito rápido uma língua que eu não entendia. Mas as crianças eram quietas, desde sempre melancólicas. Os ciganinhos é que agitavam as portas das escolas. Depois do almoço, eles jogavam games eletrônicos nas lan-houses enquanto imaginavam lutas reais em dialeto andaluz. Soltavam uns xinguinhos que eu adorava, e colocava no meu caderninho mental de expressões adoráveis em línguas desconhecidas.
Meus ouvidos doeram de frio na Foz do Douro. Corri e brinquei numa madrugada alcoólica pelos jardins do Bom Jesus de Braga. Me perdi pelo século XV no Castelo de Guimarães. Passei um ano novo bebendo champanhe sentada no teto solar de um carro parado na estrada (farofa à lusitana)e entrei de roupa e tudo no mar gelado de madrugada, em Póvoa de Varzim. Olhei as cidades e as luzes de mãos dadas com quem eu queria.
Eu não trouxe um cravo sequer.
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