****************************** João Bidu Fui tirar [tentar, actually] o gesso do meu pé. Na frente da clínica, a banca de jornal. Tão bela, tão irresistível! Passo ali um tempinho, enquanto pessoas entram e saem. Escolho então, a revista da Joyce Pascowitch, da qual todo mundo fala. E também uma Galileu. Resolvo puxar um papo com a jornaleira:
RD: Moça, me disseram que essa revista [da Joyce] é uma das mais bem feitas, bem acabadas. Verdade? Jornaleira: Deve ser boa mesmo. Não vende nada! hahahahaahahahahah! RD [meio sem graça]: Sério? [Procurando exemplos na banca] E a Revista da Semana, vende? Jornaleira: Nada. Só duas ou três por semana. Tirando a Superinteressante, nenhuma revista dessas vende. RD: Mas... mas... sei lá, e a Carta Capital, quanto vende? E as Vejas? Jornaleira: O que vende, minha amiga, é revista de 1 Real. Revista de receita, de fofoca, de novela e de horóscopo. Hahahahahaha. Tirando isso, mais nada. Por que a curiosidade? RD: Porque sou jornalista. Jornaleira: Ah, entendi. Hahahahaha! RD: (...)
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VIA MSN:
RD: Olha aí meu blog, lei antifumo. [10 minuto depois...] Luanna F.: Eu adoro o Serra. RD: E eu vou matar você! Luanna F.: Calma, darling, deixa eu explicar...
O governador José Serra tentou caminhar pelo centro de São Paulo na última Virada Cultural, mas tudo indica que não curtiu a "marolinha": deram de respingar vinho barato em cima dele. Mas que gente mal educada, não? Onde já se viu espirrar vinho Xapinha na camisa do governador? De acordo com reportagem publicada pela Folha de S. Paulo na última segunda-feira, o pretenso "next president of The United States of Brazil" manifestou "espanto com a quantidade de pessoas bebendo nas ruas". Seus fiéis escudeiros já defendem a coibição da venda de vinho nas próximas edições da Virada. E vamos botar fim nessa anarquia filha-da-mãe, sua manada de vaquinhas fumegantes!
Enquanto isso, em plena crise econômica mundial, a Lei Antifumo prevê fechar bares que desobedecerem a lei por até 1 mês. Será que o Serra vai proibir o fumo ao ar livre na próxima Virada Cultural? [Curiosidade: será que o Serra já fumou maconha?]. Sobre os exageros da lei, entre outras perguntas, o repórter da Folha indaga o secretário da saúde, José Roberto Barradas Barata: A violência aumenta em todo o Estado, como mostraram estatísticas divulgadas na semana passada. Utilizar a polícia para tirar os fumantes de bares não é reduzir a força no combate ao crime? Veja, eu não vou fazer nenhuma operação especial da polícia para combater o fumo. Vai acontecer... Por exemplo: há um desentendimento no trânsito. Um carro bateu no outro. Os dois descem e começam a discutir, começam a brigar. O que a gente faz? Chama a polícia. O melhor seria que não tivesse de chamar a polícia, porque ela deixa de ficar correndo atrás de bandido para vir separar briga de trânsito. Eu acho que a gente nem vai precisar chamar a polícia, mas, se precisar, vamos chamar como se chama para uma briga de marido e mulher, como briga de trânsito.
O dramaturgo não-fumante Mário Bortolotto afirmou em seu blog ter recebido ligação da Folha para dar sua opinião sobre a lei, que também proíbe atores de fumarem em cena. Ele também é contra a tonelada de proibições. Afinal, não interessa se Samuel Beckett, Nelson Rodrigues ou a minha avó escreveram peças em que os personagens fumam: esses personagens não vão mais fumar em São Paulo. Mesmo que Anton Tchecov tenha passado boa parte de seu tempo construindo personagens que fumam em distantes e frias cidades russas do século 19, em São Paulo, ninguém vai poder fumar no palco, nem que seja em russo. Por mímica, talvez - mas provavelmente teremos censores. Fumaça em São Paulo só se for de chaminé de fábrica, fogueira xamânica ou escapamento do busão.
E se você, caro cheirosinho anti-tabagista, ainda não teve as pernas cortadas pela moda pseudo-politicamente correta das proibições, acenda um cigarrinho, quer dizer, abra uma cervejinha que hoje é sexta. Mas seja feliz com moderação. Por enquanto temos muita fumaça de óleo diesel para respirar. E sua hora também vai chegar, afinal...
...você também está na mira.
[Desculpem, mas não deu pra não usar a foto clichê.]
Mais uma que o Terra Magazine parece estar apurando com maior interesse. Ponto para o ilustre vizinho Bob Fernandes & equipe. Pois bem, parece que o motivo da saída de Rubem Fonseca da Cia. das Letras está em indefectíveis agulhadas do gênio chileno Roberto Bolaño [esse sim, con su cigarrillo, abajo, um dos preferidos dessa humilde tia que vos fala] a Fonseca em seu livro La Literatura Nazi En America, ainda não traduzido no país. Senhor Schwarczdesmente. O link aí do lado também comenta sobre as possíveis reservas ideológicas entre os dois vendendores de best-sellers. Para compreender melhor - já que eu não disse coisa com coisa - sobre a saída do escritor mineiro da gigantesca editora, clique aqui, de novo, no ótimo blog da Ana Paula Sousa [repito]. Pegue as pipocasm, enquanto eu vou ali dar uma lida no novo do Bernardo Carvalho, que não tem nada a ver com isso, a não ser por receber seus X% em Direitos Autorais da mesma empresa.
Tudo o que penso sobre essa confusão entre mídias jornalísticas impressas e eletrônicas, a falta de aprofundamento, de credibilidade, a banalização do jornalismo e a desprofissionalização da classe foi dito pelo senhor Gay Talese em entrevista concedida à Sylvia Colombo para a Folha de S. Paulo [só para assinantes] e nestes vídeos postados no site do Estadão. Que atirem as primeiras pedras aqueles que elegerem guru melhor do que ele. E que engulam as mesmas pedras os reporterzinhos de narizinho empinadinho que não querem pensar na crise da categoria. A menos que seus pais os sustentem [o que é bem provável], todo mundo já tem motivos para se preocupar. Ou então, vamos viver de brisa. Bem, até que não seria má ideia...
Em todo o planeta, ha trilhões de trabalhadores. Alguns contra a própria vontade. Outros trabalham em más condições. Praticamente todas ganham mal e se esforçam absurdamente para pagar as próprias contas. Muita gente passa os dias contando as horas para sair do serviço. Outros ficam nervosos no trânsito, em duas, três, quatro conduções. Tem gente ganhando zilhões. Tem gente contando as moedas. Existem os positivistas. Existem ainda aqueles que enxergam o trabalho sob a perspectiva de Nietzche. Existem os vagabundos - ah, os nossos amáveis vagabundos! Os nossos odiosos vagabundos! Existem os idealistas. Os puxa-sacos. Os homens brilhantes. Os escritores, os poetas, os músicos, os ambientalistas, os loucos, as bacantes, os pervertidos. Os pensadores. Existe gente que ganha a vida tentando resolver os seus problemas. Entender a sua cabeça. Existe gente que diz que você é neurótico, que você tem pânico, que você tem estresse, que você está deprimido, com síndrome disso, síndrome daquilo. Há também os que salvam vidas e os que matam pessoas. Existem os ladrões. Os vampiros. Os psicopatas. E as pessoas que tentam detê-los. Nesse momento, trilhões de pessoas estão apavoradas com a gripe suína. Centenas de milhares estão se preocupando em erradicá-la. Há pessoas desesperadas, procurando emprego. Mães solteiras sustentam sozinhas seus filhos ganhando muito menos do que os filhos da puta que as largaram Mães solteiras se tornam invisíveis. E seus filhos se tornam vítimas do trabalho infantil. Filhas de todas as mães se tornam mulheres violentadas. Mulheres estupradas são condenadas ao inferno por cardeais exploradores do que nos resta de fé. Mulheres reduzidas a pedaços de bunda são endeusadas, enquanto todas as outras são desmerecidas, diariamente, pelo tipo de cretinice que sai da boca de Carrie Prejean. Carrie nunca deve ter pensado. Nunca deve ter tipo um problema para resolver sozinha. Nunca deve ter trabalhado. Não deve conhecer nenhuma pessoa brilhante. Não deve sentir o coração disparado na hora do gol. Não deve chorar nem sorrir ouvindo música. Não deve saber quem foi Jean Paul Sartre ou Simone de Bovoir. Não deve ouvir aplausos quando goza. Possivelmente, Carrie Prejean não goza. Com a cabeça podre, deicidiu então usar o corpo. Não é feia, mas todo mundo já viu melhores. Candidatou-se à Miss. E depois de perder o prêmio do corpo, decidiu puxar a descarga. Saiu tudo pela boca. Resolveu lutar contra o casamento gay. Virou então a miss do atraso. Carrie Prejean é o símbolo de todos os casamentos heterossexuais que faliram. Tudo isso enquanto, no mundo inteiro, trilhões de pessoas pagam impostos pela igualdade que não têm. Milhões de pessoas se apaixonam por outras do mesmo sexo. Constróem lares. Constróem sonhos. Constróem vidas que são destruídas por pessoas como Carrie Prejean, que não estarão lá quando o companheiro do Fulano tiver doente. Pessoas que lutam para que o Fulano não tenha direito à herança de seu companheiro, quando ele morrer. Pessoas que possivelmente mantém, em casa, armas de fogo tão bem guardadas quanto seus talheres de prata. Pessoas que não passam de tubos digestivos falhos, e que soltam dejetos pelos orifícios errados. No mundo inteiro há pessoas muito melhores brigando por um pingo de dignidade. No mundo inteiro, há pessoas pedindo abraços silenciosamente. No mundo inteiro, todas as pessoas precisam de respeito. Ninguém precisa de Carrie Prejean.
"Carnafacul eu vô". É esse o nick da minha irmã de 17 anos no MSN. Ainda não sei por que raios me espanto com isso. Viro a cara, faço careta, tapo os olhos, e depois bufo. Quero gritar. "Puta que pariu! Puta que pariu!" (somos irmãs só por parte de pai). "Puta que o pariu, caralho, porra!" (Incrível como tem dias em que as palavras jorram como lava de dentro da gente, não?). "P-U-T-A-Q-U-E-O-P-A-R-I-U".
Mas é isso aí. A gente vai com os olhos brilhando buscar o bebê na maternidade (lembro bem: era cabeluda e vestia um macacão verde), ajuda a dar banho, pega no colo, tira foto, ajuda a soprar velinhas do bolo, ensina a roubar no Banco Imobiliário, brinca de bonecas, e tenta ser uma boa irmã - eu dei até um peixe pra ela de presente em 1995! Tudo isso pra quase enfartar com o frio, cruel e gradual assassinato de qualquer boa influência nossa.
Pois é, Renata. Ela vai ao Carnafacul. "Carnafacul eu vô". Sem vírgula e com acento circunflexo no "ô". Que é tipo "ôôôôôôô, QUE TERROR, ôôôôô, É A DANÇA DO VAMPIRO!". E você, Renata, vai se indignar. Vai tentar explicar - gesticulando, desenhando, tocando tambor - cada um dos motivos que tornam o Carnafacul execrável. Ela vai ficar muda, enquanto sua verborragia entra-lhe por um ouvido e sai pelo outro, como se fosse o som de um aspirador de pó. "Entendeu, menina? Entendeu o que eu falei?".
Entendeu nada. E antes que você recomece, alguém tocará a campainha. É o tal do carinha. Tem correntes no pescoço, um boné ridículo, um celular de 900 Reais no bolso e veste uma camiseta horrorosa que eles chamam de abadá.(Terá sido o abadá uma um aperfeiçoamento retardado do iabadabadú?). Esforçado o rapaz, até troca algumas palavras comigo. Não consegue finalizar nenhuma frase com a devida concordância - o amigo que acompanha ao menos se comunica num vocabulário Mano Brown 2.0 - mas quem sabe não conseguimos nos entender por mímica? Não demora muito, os dois saem pela porta. Diante do Tom Cavalcante na TV, meu pai diz que não é pra beber. Mas eles nem ouvem. Percebo então, quem é a verdadeira ovelha negra por aqui. The real black and big sheep.
Alo alô, criançada! Hoje a proposta é a seguinte: listem já, de bate-pronto, três músicas para a hora do sexo. Relaxem, coisinhas fofas da tia, ninguém vai prender os que arriscarem uns clichês, a gente quer é ser feliz! O que importa é iniciar um super estudo antropológico, sociológico e, sobretudo, a little bit nasty at all.
As listas foram feitas às pressas, via MSN, agorinha mesmo entre amigos residentes no Brasil, Uruguai, Argentina e Irlanda. E é incrível como 99% das pessoas para o que está fazendo para responder. That´s the power of sex!
Sorry guys, não foi possível colar alguns vídeos and you may blame it on Youtube. E como podem ver, fiquei por último no palpite, mas não fiz cara de paisagem. Prestem atenção nos artistas habitués de A a Z. Baixem o que não conhecem - abram as portas ao desconhecido -, deixem rolar, experimentem! E vamos embora, pois como diria Marvin Gaye, "let´s make love tonight"...
Fernando Niero, 26, fotógrafo(Dublin, Ireland) Isaac Hayes - "Walk on By" Tricky - "Makes Me Wanna Die" Portishead - "Wandering Star"
Diniz Gonçalves Jr, 37, escritor (Praça Roosevelt, SP) Roberto Carlos - "Cavalgada" Julio Iglesias - "O me quieres o me dejas" Lionel Ritchie - "Stock On You"
Luanna Fernandes, 24, radialista (São Paulo, SP) Radiohead - "House Of Cards" Nat King Cole - "Unforgetable" Cranberries - "Linger" (Já deu pra sacar que vai do "tarado do Robertão" até a "romântica irlandesa", né? Imagine o que vem por aí...)
Fernando de Lucena, 25, músico (Salvador, BA) Ultraje a Rigor - "Sexo" Rolling Stones - "Miss You" Carl Orff - "Carmina Burana"
Felipe Salomão, 26, engenheiro(ZN, Mano! - SP) Madonna - "Justify My Love" Bryan Ferry - "Slave To Love" Phill Collins - "The Way You Look Tonight" Endossando minha atual mania por Mr.Ferry...
Renato Limão, 27, relações públicas & músico (São Caetano do Sul, SP) Jimi Hendrix - "Little Wing" Willie Dixon - qualquer uma Trilha Sonora do filme "Alladin", na íntegra (é sério: ele disse isso mesmo)
Fred Seigneur, 45, artista multimídia (Rio de Janeiro, RJ) 1) Para preliminares: Thomas Dolby "The Flat Earth" 2) A coisa propriamente dita: Tangerine Dream - "Phaedra" 3) O pós: Steve Miller Band - "Wild Mountain Honey"
Veridiana M., 27, assessora de imprensa(São Paulo - SP) Tricky - "Afftermath" Massive Attack - "Angel" Portishead - "Glory Box"
Lenes Costa, 38, músico(São Paulo, SP) Depeche Mode - "Higher Love" INXS - "Not Enough Time" The Zombies - "Time of The Season"
Fernando Montanari, 22, estudante(Lille, France) Fiona Apple - "First Taste" Moby - "Natural Blues" Portishead - "Glory Box"
Alice Scarpa, 53, psicóloga(Niterói, RJ) Sting - "Sacred Love" Lulu Santos - "Apenas Mais uma de Amor" Madonna - "Justify My Love"
As idiossicrasias de Silmara não cessam na seleção musical para a cama. Do alto de seu metro e sessenta, a publicitária reivindicou canções para além do Top 3. Mas sou quase uma mulher regrada e não costumo abrir exceções. Não satisfeita, a heroína rock n´roll perguntou-me, porém, se alguém havia citado "Wicked Game" de Chris Isaak, o que não aconteceu até o momento (milagre?). Limitou-se então, a comentar: "Porra, como não! Wicked é Wicked!" Pois bem, madame. Indignação registrada.
Dario Pereyra, 29, empresário(Montevideo, UY) Ricardo Arjona - "Desnuda" Bryan Adams - "Have You Ever Really Loved a Woman?" Richard Marx - "Waiting For You"
Mary Fê, 32, programadora (Rio de Janeiro, RJ) Madonna - "Erotica" Massive Attack & Tracey Thorn - "Protection" Esthero - "Country Livin' (The World I Know)"
Moacir da Silva Jr, 21, autônomo (São Paulo, SP) Ben Harper - "Sexual Healing" Bon Jovi - "Always" Queens of The Stone Age - "Go With The Flow"
Paulo Trani, 23, advogado(São Paulo, SP) Marvin Gaye - "Let´s Get It On" Buena Vista Social Club - "Cuarto de Tula" Roberto Carlos - "Como é Grande O Meu Amor Por Você"
Camila Hungria, 22, jornalista(São Paulo, SP) Marvin Gaye - "Let´s Get It On" Rita Lee - "Doce Vampiro" (puta que pariu, Camila!) Caetano Veloso - "Sorte"
Eduardo Daros, 26 - Relações Públicas(São Paulo - SP) Marvin Gaye "Let's get it on" Etta James - "There is not greater love" Tom Jones - "Sexbomb"
Caio Cipro, 27, engenheiro(da Moóca, meu! - SP) Eric Clapton - "Layla" (acústico) Barry White - "Can´t Get Enough Of Your Love" Diana Krall - "I´ve Got You Under My Skin"
Thiago Furlan, 28, músico (São Paulo - SP) Marvin Gaye - "Makes me wanna holler" Isaac Hayes - "Shaft" Prince - "Darling Nikki" Paulo Dias, 27, tradutor(São Paulo - SP) Happy Mondays - "Kinky Afro" Afghan Whigs - "66" Depeche Mode- "Personal Jesus"
Leonardo Tomás, 23, músico(São Paulo - SP) Marvin Gaye - "Let´s Get It On" Red Hot Chilli Peppers - "Blood Sugar Sex Magic" Phil Guy - "I Feel Sexy"
Kamille Viola, 31, jornalista(Rio de Janeiro, RJ) Portishead - "Glory Box" Sade - "No Ordinary Love" April Stevens - "Teach Me Tiger"
(Viram só? Apareceu a Sade! E nada do Chris Isaak...)
Eduardo Fragata, 31, fotógrafo(São Paulo, SP) Carlos Santana - "Samba Pa Ti" Billie Holiday - "Easy Living" Sepultura - "Orgasmatron"
Douglas Macch, 21, cantor (São Paulo - SP) Babyshambles - "Fuck Forever" Hot Chip - "Over and Over" The Cardigans - "Erase and Rewind"
Fernando Paiva, 30, jornalista e músico(Rio de Janeiro, RJ) Gal Costa - "Baby" Belle & Sebastian - "Could Be Dreaming" Broken Social Scene - "Swimmers"
Nicolau Centola, 41, professor (São Paulo - SP) Miles Davis - "Shhh/Peaceful" Air - "J'Ai Dormi Sous L'Eau" Brian Ferry - "I Put a Spell on You"
Evelyn Vavassori, 32, professora(São Paulo, SP) Abba - "Dancing Queen" Marvin Gaye - "Got To Give It Up" Jesus & Mary Chain - "Just Like Honey" Carlos F., 41, empresário(Campo Maior, Piauí - mostly seen at Vila Madalena, SP) King Crimson - "Fallen Angel" Prince - "Question Of You" Serge Gainsbourg - "Je t´aime ma non plus"
Rita Squillace, 25, marketeira (São Paulo - SP) Frank Sinatra - "Strangers In The Night" Tosca Tango Orchestra - "El Cholulo" Louis Armstroug - "esqueci o nome da musica! mas não é What a Wonderful World!" (ainda bem, né Rita?)
Baga Defente, 25, artista multimídia(São Paulo, SP) Dave Matthews Band - "Crash" John Coltrane - "My Favorite Things" Jimi Hendrix - "Angel"
RENATA D´ELIA, 25, jornalista(Jaça City, SP) Miles Davis - "So What" Paco de Lucía - "Danza Ritual Del Fuego" Teo Usuelli - "Piacere Sequence"
Quer dizer, sem essa de "quentinhas da semana". São só as tradicionais dicas de sempre, com sabor de chocolate, café ou cherry coke. Façam bom proveito, criaturinhas!
1) Entrevista com cara de perfil - é Joyce Pascowitch por Maria Ignez Barbosa- a poderosa - na Brasileiros de outubro do ano passado. Papo leve, texto ambientado e boas aspas, do jeito que eu gosto. "Não basta ser uma boa jornalista para ser colunista. É preciso ver as coisas com um olhar à frente dos outros, ter percepção, um radar, um repertório, e isso é algo que treino desde pequena. Muito cedo, fiz balé, piano, francês e inglês. Sempre fui antenada. Sempre que saio para ver alguma coisa, vejo outra, enxergo algo além. Antes de ir para a Folha eu fazia uma revistinha, a A&Z, que mexia e instigava, e que o Mathinas Suzuki viu e gostou. Foi quando ele me chamou para ir para o jornal". Anotaí.
2) Não é porque trabalho na redação ao lado, mas o Terra Magazine agora tem espaço comandado pela excelente Ana Paula Sousa, ex-editora de cultura da Carta Capital. O blog se chama Babel.
3) "Vamos entrevistar o Osama Bin Laden. Isso mesmo, vamos atrás". A pérola deve ser imaginária (tomara mesmo). Saiba como trabalha Heródoto Barbeiro -- da rádio CBN e do Roda Viva, na Tv Cultura --, na correria do dia a dia, com direito a deliciosos bastidores. "No computador de Heródoto chega uma mensagem: 'Céus, entra ano, sai ano, e o José Dirceu não consegue achar o R do pRoblema. Abs., Neuza'. No estúdio, o e-mail é comentado e alguém diz, fora do ar: ' O Cony, que é o Cony, não consegue falar aeroporto. Só sai aereoporto'. Da Brasileiros, por Ricardo Kotscho.
4) Ok, mais uma da Brasileiros, por Inês Garçoni. Nem me lembro mais por que raios não gostava da revista no começo. Mas aí vai, o Rogério Fasano Punk Rocker. Não entendeu? Clica aqui, benhê. " 'Ele deu uma lição. Disse que ser punk não era aquilo, que a gente estava lá para pensar, raciocinar, e não para ficar cuspindo. Fiquei mais fã dele ainda'. Aos 19 anos, Rogério estava na platéia, em Londres, onde viveu à custa do pai rico. Ficou enojado com os cuspes, mas cantou todas as letras da banda, ídolo da juventude rebelde."
5) La Ruta Norteamericana é o blog do jornalista espanhol Fernando Navarro -- do El País e da Rolling Stone com sotaque madrilenho -- interessante pra ter uma visão menos afetada do que se tem com os blogs ingleses, e consequentemente da puxação de saco à brasileira. O bom é que se fala de velharias, bandas americanas esquecidas, e um monte de coisas que os psudo-hypes não falam, com medo de se queimar na baladinha da Augusta...
6) Ainda no El País, entrevista rapidinha, só pra constar, com o lindo, maravilhoso e talentoso Clive Owen. [Sinta o sotaque. Respire fundo. Expire. Agora pode gritar. Mas antes, escute a dublagem. E gargalhe!]Aproveite e dê uma zapeada nas páginas especiais de cinema, música e literatura do jornal online. Viu? Agora compare com os cadernos de cultura dos jornais daqui. Vou até ali beber um Nescau enquanto você chora.
7) Emma Watson a.k.a. Hermionne Granger concede entrevista a Derek Blasberg, da revista Interview. E vejam só que bonitinha: "Well, I shouldn’t say I have a favorite director—that wouldn’t be very diplomatic. But one of the people I enjoyed working with most was Alfonso Cuarón [who directed Watson in the third Potter film, Harry Potter and the Prisonerof Azkaban (2004)]. I have a real thing forMexican directors. And I love Guillermo del Toro and Alejandro González Iñárritu".
8) Lembro-me de um policial fascista que tive o desprazer de conhecer há alguns anos. Entre outras baboseiras, vivia dizendo que Caco Barcellos fora dedo-duro dos militares durante o regime: a figura espalhava mentiras tão absurdas quanto seu delírio de grandeza (achava-se capaz de governar, coitado). Nunca mais vi grotesca figura. Mas Caco Barcellos ficou, por bem. E segue e enxutérrimo Caco Barcellos em entrevista à Trip, nas Páginas Negras. "O caso da Isabella tem esse componente da cultura da violência. Eu acho que a polícia nos ensinou a pensar, o que é um grande erro, que, quem morre, morre porque deve. Coisa da cultura do esquadrão da morte, 'estava no lugar errado na hora errada'. E, no caso dessa criança, Isabella, você não podia culpar a vítima. É uma inocente de 5 anos. A segunda coisa: família de classe média, com o pé no direito. Então a polícia não podia usar os métodos que usam contra os pobres, que não é de investigação e sim de tortura".
9) Do olhar. Quer dizer, de como Susan Sontag foi seduzida por sua própria persona. Aqui na New York Magazine. Por Franklin Foer.
10) Ótima retrospectiva do Alex Antunes sobre Bryan Ferry e o indefectível Roxy Music. Aqui, ó, cheio de boas dicas. Quer um trecho? Aí vai o início: "Bryan Ferry está para a música precisamente como Andy Warhol estava para as artes plásticas. O 'pop' para ele é uma interface, um caminho de duas mãos. De um lado, a mirada intelectual e crítica sobre a arte na era da reprodutibilidade tecnológica". Corre lá, baixe lá, e diz pra mim se esse Mr.Ferry não é uma coisa diliça! (Não tenha medo, menina, juro que não vou achar brega).
We are the hollow men We are the stuffed men Leaning together Headpiece filled with straw. Alas! Our dried voices, when We whisper together Are quiet and meaningless As wind in dry grass Or rats' feet over broken glass In our dry cellar
Shape without form, shade without colour, Paralysed force, gesture without motion;
Those who have crossed With direct eyes, to death's other Kingdom Remember us--if at all--not as lost Violent souls, but only As the hollow men The stuffed men.
II
Eyes I dare not meet in dreams In death's dream kingdom These do not appear: There, the eyes are Sunlight on a broken column There, is a tree swinging And voices are In the wind's singing More distant and more solemn Than a fading star.
Let me be no nearer In death's dream kingdom Let me also wear Such deliberate disguises Rat's coat, crowskin, crossed staves In a field Behaving as the wind behaves No nearer--
Not that final meeting In the twilight kingdom
III
This is the dead land This is cactus land Here the stone images Are raised, here they receive The supplication of a dead man's hand Under the twinkle of a fading star.
Is it like this In death's other kingdom Waking alone At the hour when we are Trembling with tenderness Lips that would kiss Form prayers to broken stone.
IV
The eyes are not here There are no eyes here In this valley of dying stars In this hollow valley This broken jaw of our lost kingdoms
In this last of meeting places We grope together and avoid speech Gathered on this beach of the tumid river
Sightless, unless The eyes reappear As the perpetual star Multifoliate rose Of death's twilight kingdom The hope only Of empty men.
V
Here we go round the prickly pear Prickly pear prickly pear Here we go round the prickly pear At five o'clock in the morning.
Between the idea And the reality Between the motion And the act Falls the shadow For Thine is the Kingdom
Between the conception And the creation Between the emotion And the response Falls the Shadow Life is very long
Between the desire And the spasm Between the potency and the existence Between the essence And the descent Falls the Shadow For Thine is the Kingdom
For thine is Life is For Thine is the
This is the way the world ends This is the way the world ends This is the way the world ends Not with a bang but a whimper.
* Com cenas de Marlon Brando em montagem especial de cenas de Apocalypse Now, by Francis Ford Coppola (1979).
** Y unas gracias a Ariel Ledesma por acordarme del poema.
“Um estilo artístico é algo vivo, uma contínua invenção dentro de certa direção. Nunca imposta de fora, nascida do impulso criador & das tendências profundas da sociedade, essa direção é até certo ponto imprevisível, como o é o crescimento de ramos de uma árvore. Em troca, o estilo oficial é a negação da espontaneidade criadora, os grandes impérios tendem a uniformizar o rosto cambiante do homem & convertê-lo em uma máscara indefinidamente repetida. O poder imobiliza, fixa num só gesto grandioso, terrível ou teatral & finalmente, simplesmente monótono a variedade da vida. ‘O Estado sou eu’ é uma fórmula que significa a nadificação dos rostos humanos suplantados pelos traços pétreos de um eu abstrato que se converte, até o final dos tempos, num modelo de toda uma sociedade”. Octavio Paz, em O Arco e a Lira.
Lá pela terceira ou quarta cochilada preguiçosa (e merecida) desse domingo, sonhei com Mickey Rourke do jeito gatão, lá pelos anos 80. Estávamos numa festa, conversando, rindo e bebendo. Muito esperta, é claro, tratei de voltar a dormir logo depois de mal acordar. Afinal, quem é que vai perder uma coisa incrível daquelas, te dando o maior mole? Vinte minutos depois - eu sei porque olhei no relógio quando despertei de vez -, aparecia no sonho, na sequência da festa, o Mickey Rourke acabadão, século 21, total scarface. E para minha surpresa, até que estava bem bacana sonhar com ele mesmo assim...
1) Meu nome é Mulher Maravilha, mas eu gosto mesmo é da Elke. Equilibro uma bola no nariz e bato palmas. Assovio e chupo cana. Canto, danço e sapateio. Converso com taxistas e atropelo pessoas na calçada com bastante frequência.
Ou em terceira pessoa...
2) 25 anos, marruda & birrenta desde os 4, não come frango mas furta algodão doce em festa de criança, sempre ocupa o banco das grávidas no metrô; ex-futura campeã olímpica de Handball & atriz ganhadora do Oscar com estatuetas de shampoo, costuma sonhar com tartarugas gigantes (e elas voam). Eu disse: 25 anos, estrábica somente em fotos, uma vez atropelada em sua própria rua conseguiu quebrar somente um dedo, e já perdeu o celular três vezes. Nessa vida acumula um poodle, cinco pilhas recarregáveis, doze camisetas regatas, vários isqueiros e nenhum golpe do baú. Nenhum golpe do baú!
Ou em primeira, outra vez...
3) Yo Soy Rebelde. Entre outras excentricidades, moro no Jaçanã e tenho uma amiga cuspidora de fogo. Estudei com o Banana de Pijama do buffet aqui do lado e já levei um tombo, de cabeça, do alto de uma escadaria equivalente à da Sé. Também mexo as orelhas e o couro cabeludo sem mover as sobrancelhas (há vídeos que comprovam).
4) Ontem, dominar o mundo como grandes generais faziam (a little less violence, of course). Hoje, ganhar dinheiro dormindo. E amanhã... cultivar uma horta, certo?
5) Construía foguetes imaginários. Queria ter um robô como o dos Jetsons. Construía castelos no ar. Queria construir barquinhos de papel. Construo besteiras bonitas. Quero muito ganhar um beijo seu.